11 abril 2012

Desferrados

 Matéria que saiu na revista Revista HorsePSI sobre o assunto desferrados.

OPINIÃO
Por Juliana Machado e Mayra Napoli

Sem cascos, sem cavalos!
Ferrageamento correto é vital para manter o animal saudável e obter bons resultados nas corridas

A boa saúde dos cascos é fundamental para que os cavalos tenham uma vida útil produtiva e vitoriosa. Por este motivo, é importante escolher um bom profissional para fazer o ferrageamento e a ferradura correta, dependendo do tipo de atividade na qual o animal será utilizado.
O ferrageamento do cavalo Puro Sangue Inglês deve seguir os mesmos protocolos utilizado em outras raças, como um bom casqueamento, observando todas as irregularidades e corrigindo-as, se possível, para manter a anatomia do casco preservada e dar melhor apoio ao cavalo.
O tempo normal para a troca das ferraduras é a cada 30 dias, podendo esse tempo ser diminuído ou aumentado de acordo com alguma patologia existente, o número de vezes que o animal vai competir no mês ou mesmo o ambiente em que está alojado “No caso do PSI, por utilizarem ferraduras de alumínio no momento das corridas, esse tempo cai drasticamente, e podem ocorrer dois ferrageamentos num período de quinze dias. Esse é o tempo mínimo para a troca de ferraduras e deve-se tomar cuidado para não causar lesões nos cascos”, informa Leopoldo Mesquita Weiss, médico veterinário e ferrador.
Para o treinador José Luiz Aranha, o ferrageamento deve ser feito por um profissional específico, o ferrador, que deve levar em consideração os aprumos do animal e manter a perfeita simetria entre os cascos. “O PSI é um cavalo atleta e necessita de um bom ferrageamento, que é um dos pilares para manter a boa saúde atlética. As ferraduras são mais leves e os cuidados com os cascos são muito maiores”, esclarece Zé.
Segundo o veterinário Tony Gusso e seu pai, o treinador, E. P. Gusso, existem dois tipos de ferrageamentos: o primeiro para corridas, no qual são utilizadas ferraduras de alumínio nos membros anteriores e posteriores ou alumínio nos anteriores e filete de ferro nos posteriores. Para treinamento, o segundo tipo, utiliza-se as de ferro, alumínio ou as corretivas. “O PSI de corrida será ferrado com ferradura própria para corrida até um dia antes da prova. Após a corrida esta é retirada sendo colocada a de trabalho ou treinamento. A de treinamento é trocada sempre que demonstrar estar desgastada e desbalanceada, normalmente a cada 20 dias, podendo variar se o animal for mais nervoso ou com uma pisada mais firme e pesada”, acrescenta Tony.

Como escolher a ferradura ideal

Antes do ferrageamento, deve-se analisar qual ferradura se encaixa nos padrões do animal: “o ferrageamento deve levar em consideração a idade, a morfologia e a biomecânica de cada animal já que tem como função não só a proteção dos cascos, como de todas as articulações” ensina o médico veterinário Christian Schlegel, especialista no assunto.
Segundo Tony, não existem regras específicas. A escolha deve ser feita levando-se em consideração, principalmente, a qualidade dos cascos e conformação do animal. Existem cavalos que correm ferrados e outros desferrados. No treinamento pode-se usar as de ferro, alumínio ou as corretivas. “Toda escolha é pautada no conforto e melhora de rendimento. É importante lembrar que a ferradura tem tamanho, modelo e altura adequada para o cavalo de corrida. O ferreiro não é um pregador de ferraduras e sim um conhecedor das necessidades dos cascos do animal. Devendo sempre estudar e se aprimorar nas novas técnicas e modelos de ferraduras”, explica.
“Os cavalos de corrida podem receber ferraduras de ferro, de alumínio ou, ainda, pode utilizar as de alumínio nos membros anteriores e as de ferro nos posteriores, o que é classificado como ferrageamento com alumínio e filete. Para a raia de areia é comum optar pelas agarradeiras. São ferraduras de alumínio com uma chapa de aço e altura de aproximadamente 5mm, que serve para dar tração no momento da propulsão durante a corrida”. complementa o médico veterinário Irineu A.Palmeira Filho
No entanto, em resolução do dia 17 de outubro de 2011 a Comissão de Corridas suspendeu por 90 dias, a contar de 1º de novembro, a título experimental, o uso de agarradeiras em páreos comuns no hipódromo paulistano. Seu uso é somente permitido em provas Especiais ou provas Clássicas.
Existem diversos tipos de ferraduras que são aprovadas pelas Comissões de Corridas do Jockey Club de São Paulo. É dever do treinador comunicar à mesma comissão qual será a ferradura utilizada pelo cavalo antes da corrida, não podendo haver a substituição posterior sem prévia autorização.
Em relação ao tipo de ferraduras que devem ser utilizadas pelo PSI, muitos profissionais concordam que a de alumínio é a mais recomendada, pois ser mais leve. “O alumínio permite uma diminuição do peso e menos esforço na hora da locomoção do animal, facilitando o seu deslocamento nas corridas”, diz Leopoldo. Antônio Luiz Cintra, médico veterinário e treinador, conhecido como Tolú, concorda, mas afirma que a ferradura de alumínio industrializada fora do Brasil, apesar de ser mais cara, é de melhor qualidade e durabilidade, além de ter correções a beneficiar os cascos. O Dr. Chrsitian Schlegel reafirma : “a ferradura ideal para cavalos de corrida é a de alumínio importada. Infelizmente ainda não existe no Brasil uma ferradura específica para corrida de cavalos à altura das importadas”.


Cuidados no ferrageamento
Antes de ferrar os animais é preciso tomar alguns cuidados e, de preferência, ter o auxílio do médico veterinário do animal, que pode orientar o ferrador sobre algum possível problema diagnosticado para que o procedimento correto seja adotado. Uma análise dos cascos e a escolha de um local e de materiais adequados fazem toda a diferença no ferrageamento que pode garantir maior vida útil ao casco e ao animal atleta.
*******O Dr. Irineu resume: “O processo tem inicio com um bom casqueamento, que é o corte da parede do casco – da pinça ate os talões – sola e ranilha. Isso é feito para que as estruturas dentro do casco fiquem posicionadas da maneira correta e, com isso, não ocorra sobrecarga nas estruturas articulares e musculares de todo o corpo do cavalo. Após esta etapa é realizado o ferrageamento, que é a fixação da ferradura no casco. A ferradura deve ser escolhida após uma análise do cavalo, assim como o tipo de cravo. O modelamento da ferradura é feito com auxílio de bigorna e forja. Deve-se ficar muito atento para o posicionamento da ferradura no casco e fixá-la com o cuidado de não atingir a parte sensitiva do casco.” complementa o médico veterinário Irineu A.Palmeira Filho
Tolú completa:O casqueamento e a moldagem são muito importantes para se manter a integridade física do cavalo, qualquer erro em um dos dois processos fará com que o cavalo tenha um alto risco de problema físico”, afirma Tolú.
Os cavalos de corrida são animais de alta performance e, por isso, o ferrageamento deve ser feito cuidadosamente. “Não podemos retirar ou cortar qualquer parte dos cascos em excesso, trabalhando sempre no mais perfeito balanceamento da pisada e do movimento. Todo movimento desnecessário ou pisada irregular levará o animal a diminuir seu rendimento nos trabalhos e nas provas ou mesmo causar problemas físicos, o que o desvalorizará. Tudo deve ser pensado buscando o melhor desempenho deste atleta”, diz Tony e continua: “o casco é a base do animal e onde ele mantém todas as forças de seu peso ao se manter em pé e em seu exercício, desta forma, o ferrageamento correto mantém, tanto a saúde do casco como a saúde do próprio animal”.
O Dr. Christian Schlegel chama a atenção para um fator importante: “O ferrageamento correto é essencial para a manutenção e proteção dos cascos. É uma necessidade vinda com a domesticação dos eqüinos, já que mudado totalmente o ambiente em que vivem”.

Problemas nos cascos
“O ferrageamento é um processo criado pelo homem e foge a natureza do cavalo, sendo assim, se for bem executado, mantém a sanidade atlética do cavalo, se for mal feito o colocará em grande risco e poderá causar doenças e lesões”, afirma Tolú.
A mais conhecida das doenças de casco é a Laminite, também chamada de aguamento nos cascos. Trata-se de um grave processo inflamatório no casco que pode inutilizar um cavalo ou até mesmo causar sua morte.
São inúmeros os prejuízos que podem ocorrer como conseqüência de um ferrageamento inadequado. Alterações de aprumo, doença da linha branca (provocada por fungos ou bactérias), inflamações por perfuração com cravo no local errado ou de forma errada, desvios de angulação da estrutura do casco, hematomas, manqueira, degenerações de articulações em geral, calcificações, e outras doenças que podem se apresentar de forma isolada ou como problemas múltiplos.
O animal mal ferrado e com os cascos desbalanceados também pode ter inflamações musculares, doenças ligamentares e tendíneas pelo movimento inadequado do animal, doenças articulares como as artrites e as fissuras e fraturas ósseas (carpo, sesamoides e as falangeanas). “Não é raro o animal claudicar pelo uso de ferraduras gastas e pelo crescimento excessivo dos cascos, bastando o corte, limpeza e novas ferraduras para se eliminar qualquer sensibilidade e/ou pisada inadequada”, avisa Tony.

Box:
Correr Desferrado. Vantagens e desvantagens.
Um tema que divide opiniões é a participação de animais desferrados nas provas brasileiras. Alguns são contra, outros a favor. No Brasil, a prática é permitida e muitos treinadores fazem uso desse artifício para levarem seus animais à vitória.
Tolú desconhece que algum país proíba um cavalo de correr desferrado. O veterinário esteve em vários países das Américas, Europa e Ásia e por todos os lugares que passou abordou esse tema com veterinários, treinadores e ferradores. “Todos manifestaram grande preocupação com a integridade física dos atletas que correm sem ferraduras e nenhum cogitou usar desse artifício. Sendo assim, acredito que não se corra cavalo desferrado fora do Brasil pelo único motivo de preservá-los”.
Em duas oportunidades, Tolú presenciou corridas com cavalos desferrados no exterior, um na Argentina e outra em Dubai. “Na Argentina foi um cavalo Brasileiro. Já em Dubai, por ocasião da inauguração da pista artificial (politrack), vários animais estavam perdendo as ferraduras durante os trabalhos e nas primeiras reuniões dois treinadores testaram correr seus pensionistas desferrados, mas a experiência não deu certo devido ao resultado ruim dos mesmos. Entretanto, não se queixaram de lesões, mas lembro que foi apenas por uma ou duas corridas e em piso artificial emborrachado”, explica.


Confira a opinião de alguns profissionais do ramo:

“O animal só deve correr desferrado se o casco mostrar boas condições estruturais e a raia possuir boa qualidade. No entanto, na dúvida, é melhor correr sempre ferrado”
Leopoldo Mesquita Weiss, médico veterinário e ferrador

“Sou contra correr desferrado porque o casco se quebra facilmente e, às vezes, a recuperação do animal é demorada”
João Gabriel da Costa, treinador

“Eu sou contra, mas é impressionante a melhora de alguns animais quando correm desferrados na pista de grama seca. O principal problema é quando o animal corre seguidamente desferrado e quebra a parede do casco prejudicando sua saúde. Com a parede danificada, o ferrador terá dificuldades de fazer o ferrageamento correto”
José Luiz Aranha, treinador

“Como veterinário não recomendo que os cavalos corram desferrados sob o alto risco de sofrer lesões. Por outro lado, existe a competição, na qual, ganhar é o objetivo principal e é inegável a melhora que alguns animais têm quando correm desferrados. Olhando por este ponto de vista, depois de conhecer bem o potencial do cavalo e a qualidade de seus cascos, já usei desse artifício por várias vezes, inclusive venci quatro provas de Grupo 1 com cavalos desferrados, mas já houve caso em que cavalos adquiriram lesões que comprometeram seu futuro como atleta”
A.L. Cintra (Tolú), veterinário e treinador

“Sou a favor. Historicamente meu avô, Pedro Gusso, em 1930, correu o primeiro animal desferrado no hipódromo da Gávea, o que, hoje, fazemos como rotina. Atualmente, é nítido que alguns animais têm seu rendimento aumentado correndo desferrados nas raias de grama, o que dentre os participantes do páreo lhe dará vantagem. Obviamente os cascos serão mais danificados comparados aos que correm ferrados, mas temos meios de diminuir qualquer prejuízo”
E. P. Gusso, treinador 

“É uma prática usada em alguns animais no Brasil. Fazendo uma analogia ao atletismo de alto nível, seria o mesmo que correr descalço. Para mim, é difícil concordar com essa prática”
Newton Birskis, médico veterinário

Eu sempre utilizei essa prática de correr cavalos desferrados e nunca tive dificuldade com meus animais. Para tanto, é muito importante fazer um preparo diferenciado nos cascos: aparar, dar banho de sulfato de cobre, queimar com terbentina, iodo e sempre engraxar com sebo de carneiro. Minha opinião sempre foi contestada por muitos, mas o resultado nas pistas sempre foi satisfatório e condizente com o que penso. Os animais quando potros correm de um lado para outro nos pastos e não apresentam dificuldade alguma sem ferraduras. É o natural do animal, e eles sabem como se defender (a não ser quando a grama está molhada). Digo que ferradura é como sapato para nós humanos, então se corrermos com sapato apertado ou corrermos descalços, a diferença é grande. Por esse motivo foi criado esse estilo turfístico muito conhecido como “Correr sem Sapato” ou como dizia um turfista apaixonado “Vai de Gasolina Azul”. Eu acredito que isso faz a diferença.
Amasilio Magalhães Filho, treinador


Toda a atividade, a partir do momento que principia, conta-nos uma história. A história do Turfe é relativamente nova, mas com um amplo leque de temas que a compõe. Vou me ater a um deles, a questão do nivelamento dos páreos. Desde quando surgiu na Inglaterra, no século XVII, a preocupação em deixar as corridas mais equilibradas é matéria de lei. Foi assim que surgiram as chamadas: perdedores contra perdedores, ganhadores contra ganhadores e assim sucessivamente, até chegarmos aos Grande Prêmios. Foram separados machos de fêmeas. Separaram-se, ainda, os animais por faixa de idade. Tudo com um único objetivo. O de equilibrar a contenda. Toda a graça do esporte está intimamente ligada a estes agrupamentos. Corridas acirradas e com todos os competidores lutando palmo a palmo pela vitória são de uma beleza plástica indescritível e fazem parte da essência do turfe. Para um dos seus setores mais importantes, o das apostas, motor da atividade, significa maior volume de jogos. Ninguém apostaria em páreos em que as diferenças técnicas entre os competidores fossem flagrantes a ponto de transformar as corridas em jogo de cartas marcadas e em que se produzissem infindáveis pules de devolução de capital que sempre se saíssem vitoriosas. O interesse pelo jogo acabaria e as consequências para a atividade não seriam difíceis de se prever.
Com o tempo foram surgindo diversos acessórios para os cavalos utilizarem nas corridas. Antolhos, arminhos, rosetas e línguas amarradas fazem parte desta lista. Aqui gostaria de dar ênfase a um dos pontos principais que este artigo defende. Todos estes acessórios têm por objetivo atenuar baldas ou problemas físicos do atleta, dando possibilidades aos mesmos de poderem manifestar da forma mais ampla possível, o seu poderio locomotor. Nenhuma destas ferramentas por si só, aumenta a capacidade de correr de qualquer animal. Notem que não me refiro aqui a celas, selins, cilhas, arreamentos e ferraduras, pois estas são o uniforme do atleta e já se faziam presentes quando da realização das primeiras provas em terras inglesas. E se se mantêm presentes depois de quatro séculos de prática esportiva, não podemos lhes negar a importância.
Aprofundando um pouco no tema, vamos dissertar sobre um destes componentes: as ferraduras. Antes de mais nada, permitam-me o óbvio. Ferraduras foram inventadas para proteger os cascos dos cavalos. E aqui mais um ponto citado no parágrafo anterior, que gostaria de deixar bem claro: ferradura não é acessório, pois enquanto este corrige problema de alguns exemplares, aquela previne o que pode vir a ser o problema de todos. Não quero me ater demais a esta parte física da questão, embora seja importante salientar o fato de que não são apenas corredores com cascos extremamente saudáveis que atuam deste modo nos hipódromos brasileiros, motivo suficiente para proibir a prática, já que as ocorrências de cascos danificados e consequente interrupção na carreira dos atletas para reparos clínicos são bem significativas. Parece claro: se danifica ou pode vir a danificar, refuta o argumento de que “desferrar é permitido para todos”. Ninguém que tenha preocupação com seu animal, vai usar de artifício que possa lhe comprometer a saúde ou a sua carreira como atleta.
Foco mais pelo lado competitivo. Quando toda a história nos mostra a incessante busca pelo nivelamento dos páreos, eis que o Brasil se deu o direito, talvez, de ser o único país do mundo onde se permita correr cavalos desferrados. Isso vai totalmente de encontro a tudo que expomos acima. E o motivos é apenas um: está provado que há aumento de desempenho para quem atua sem ferraduras na pista de grama. Não é vantagem que se possa quantificar, tudo depende da distância da prova e do estado da grama. Usando o quilômetro como base, não creio ser menor do que meio segundo a melhora da performance. Algo por volta de três corpos, fator decisivo para alterar o resultado de qualquer páreo.
Especificamente em Cidade Jardim, as vantagens são ainda maiores. Nos casos em que é afixado Grama Macia como raia de programa, treinadores que possuem animais inscritos da metade da programação em diante, podem verificar pela prática nos páreos anteriores, se a grama está em boas condições para correr sem ferraduras e só então decidir pelo uso das mesmas ou não. Ou seja, aos desferrados permite-se tudo. Pensem no oposto: dar o direito de ferrados optarem por correr desferrados durante a programação. Pareceu justo? Em caso positivo, desprezem definitivamente estas linhas.
Aron Corrêa, cronista de turfe

É um assunto polêmico, mas como veterinário tenho que ser contra. Já participei de vários encontros profissionais de ferradores e também de veterinários e, até hoje, não ouvi uma explicação convincente que justificasse o porquê certos animais correm mais ou melhor desferrados na grama. O que posso afirmar é que alguns animais têm um melhor desempenho na grama ao correrem sem ferraduras, mas que estes animais têm maior probabilidade de sofrer lesões dos membros inferiores.
Christian Schlegel, médico veterinário

Se o cavalo tiver cascos íntegros, com boa estrutura e velocidade de crescimento, sem problemas inflamatórios e/ou degenerativos, o cavalo pode correr desferrado desde que a raia tenha boas condições para tal. A raia não pode estar úmida, deve ser regular (sem buracos), e não muito abrasiva.Em geral os cavalos correm bem desferrados em raias de grama, bem secas (sem alto teor de umidade). Alguns animais melhoram a performance desferrados, pois com o aumento da propriocepção eles conseguem modificar sua biomecânica e aumentar seus lances. Existe uma preparação dos cascos dos cavalos para correrem desferrados, o ideal é que os cascos estejam duros, mas sem perder a hidratação (para evitar rachaduras e quebra de parede) e melhor dissipação do impacto.Não são todos os animais que correm bem desferrados, depende de cada indivíduo. Se existir algum problema de cascos (citados acima), provavelmente isso irá diminuir a performance. Também existe um fator genético relacionado, onde algumas linhagens são conhecidas com uma tendência a indivíduos correrem bem desferrados. A maioria dos hipódromos no mundo permite que os animais corram desferrados, desde que declarem antecipadamente essa escolha. Em países como os Estados Unidos não é comum correrem desferrados. Isso por que a maioria das corridas ocorre em raias de areia ou raias de materiais sintéticos (Polytracks), geralmente abrasivas para os cascos.
Irineu de A. Palmeira Machado – médico veterinário

Como tudo nos USA, "racing is state regulated". Assim sendo em alguns estados é permitido correr animais desferrados (desde que no ato da inscrição isto seja avisado) e em outros estados é proibido. Cada jurisdição tem seus motivos para justificar a proibição (segurança dos jockeys e dos animais, liability, etc.).Também o uso de agarradeiras varia de estado para estado e de hipódromo para hipódromo dentro de um mesmo estado.A proibição e/ou limitação do tamanho da  agarradeira é decorrente do tipo de superfície (areia / grama / sintética); sendo que na grama, a preocupação é com o terreno em si. Já nas sintéticas a preocupação é com o cavalo, uma vez que muitas lesões, especialmente as de posteriores, são atribuídas ao uso de ferraduras com agarradeiras em combinação com a superfície (não sem razão). Muitos treinadores que treinam diariamente na sintética tem considerado treinar seus cavalos desferrados pelo menos  dos posteriores.Vale a pena lembrar que as pistas sintéticas (polytrack / tapeta / pro-ride entre outras) são relativamente novas na América do Norte, daí estarmos ainda em período de adaptação
Eduardo Caramori, treinador brasileiro atuando nos Estados Unidos
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