
Acordei com aquele enfado habitual e me disse: preciso fazer algo de diferente porque o tédio começa a me dominar.
Corridas de cavalo e Cavalo de corridas são a minha vida, mas até isso, quando se torna obrigação, tende a cansar momentaneamente. Para renovar as baterias é preciso fazer algo de diferente, mesmo que esse "diferente" seja muito parecido com a minha rotina.
Pensei: vou escrever no blogue (faz tempo que não utilizo este espaço). Mas sobre o que? Claro, sobre cavalos, xadrez e algo mais. Tentarei ser leve e fútil...
Começo declarando minha paixão pelos tordilhos, citando obviamente Corejada, a minha preferida, mas também Paco Rabane, o mais bonito de todos que já vi.
Ainda no terreno dos preferidos, digo: a pista de grama na GV, precisamente na distância dos 1300 metros, para potros e potrancas de 3 anos perdedores é, dentre os páreos comuns, o palco dos meus melhores momentos. Meus índices de acertos são maiores, consequentemente, as idas ao pagador também. Infelizmente, o dinheiro também traz felicidade.
Politicamente sou a favor... Ops, isso não é leve Aron. Os tempos estão pesados no Brasil e no Turfe, toda vez que tomei lado, a faca era de dois gumes. Turfisticamente virei um PSDB, fico sempre em cima do muro, pois entre coxinhas e o Coxinha, nunca se sabe o que pode ser pior.
No cenário nacional, cito Drummond, aquele que queria ser gauche na vida: "a esquerda, até agora, no Brasil, tem sido a parte mais errada da opinião pública, a que mais caiu em erros".
Concordo plenamente, a sentença continua atual, mas continuo procurando e errando o caminho. Procuro os Homens justos e... Bom, se forem justos realmente, já me dou por extremamente satisfeito. Em que partido político encontrar homens essencialmente justos?
Meu hipódromo de coração não poderia ser outro que não o Cristal. Tenho lembranças de cavalos é lógico, mas também de tuneis (não sei se ainda tem, mas por debaixo da pista haviam tuneis que para uma criança de 10 anos pareciam labirintos fantásticos), de corridas com a piazada, ora eu sendo o jóquei, ora sendo o cavalo. De pedir para qualquer turfista que estivesse na fila do guichê, apostar para mim (criança não podia jogar, mas sempre se dava um jeito). E o Cachorro Quente prensado que serviam nas populares, hum, aquilo era dos deuses.
Cidade Jardim também tem espaço cativo no meu coração, mas, não sei porque, as lembranças teimam em não comparecer neste momento.
Já que falo em lembranças, não posso deixar de finalizar este relato com as sessenta e quatro casas. Agora em Julho, depois de longo tempo, volto a participar de uma competição enxadrística. Antigamente, quando existia Xadrez por Correspondência (ainda existe mas o computador, se não matou, aleijou a modalidade) a frase de propaganda do Clube de Xadrez Epistolar Brasileiro era esta: "Leva o Xadrez, traz o amigo". No meu caso, o Xadrez foi embora mesmo, a força como jogador sumiu, tento ser apenas combativo. Me restou os amigos, esses vou rever com grande satisfação, pelo menos os que estão vivos, afinal, vinte anos de ausência, se não mata, marca.
Lembranças que se perderam e que , em um esforço, consegui recuperar. Coisas fúteis, que não têm importância, ou que talvez tenham, dependendo do leitor que as lê agora.