31 março 2010
Magnus Carlsen
Ligeirinhas
30 março 2010
Gênios
29 março 2010
28 março 2010
Ligeirinhas
27 março 2010
Glória De Campeão faz o Brasil ser redescoberto
Indicações
Desafio em CJ
26 março 2010
Resultado extra-oficial do Torneio
Sobre o Torneio de SV
I Torneio Volta Gustavo Leite
5/0/5/10/10/0/0=30
0/5/0/0/10/0/0=15
0/10/5/0/0/0/10=25
10/10/10/5/10/5/0=50
5/0/0/0/0/0/0=5
5/0/10/10/0/0/10=35
10/10/5/10/5/5/10=55
5/10/5/5/10/5/0=40
0/10/5/0/0/5/0=20
5/0/10/0/5/0/0=20
5/0/0/0/5/0/0=10
5/5/10/10/5/10/0=45
5/0/0/10/5/0/0=20
10/10/10/5/5/5/10=55
10/5/10/0/0/0/10=35
10/5/5/10/0/0/0=30
10/5/10/5/0/5/10=45
0/0/5/10/10/5/0=30
5/0/0/0/5/10/0=20
5/0/10/0/0/0/0=15
10/10/5/10/5/5/0=45
0/5/5/0/0/5/5=20
0/5/5/10/0/5/0=25
10/10/10/0/0/5/10=45
5/0/5/5/5/5/10=35
0/0/10/0/10/5/5=30
10/5/5/0/0/10/0=30
0/0/0/10/0/10/0=20
5/10/5/0/0/5/10=35
25 março 2010
Sobre o Torneio de SV II
Um Bento inesquecível
Proprietário: HUMBERTO FELIZZOLA
Narrador: Sr. Macedo
Jóquei: Oraci Cardoso
Treinador : Milton Farias
Ligeirinhas
24 março 2010
Sobre o Torneio de SV
Hora e vez da música brega
Crédito ao apostador é legal
Jockey Club pode financiar apostador e receber apostas por telefone

O apostador recorreu ao STJ. Alegou que a cobrança é juridicamente impossível.
Dívida oriunda de aposta em turfe pode ser cobrada em juízo, mesmo que seja feita por telefone mediante a concessão de empréstimo em favor do jogador. Com esse entendimento, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) que autorizou a execução de uma dívida de R$ 48 mil contraída por um apostador com o Jockey Club.
Foi a primeira vez que o STJ examinou a possibilidade da cobrança de dívida resultante de empréstimo feito pela própria banca exploradora do jogo para financiar apostas em corridas de cavalos efetuadas mediante contato telefônico. A decisão foi por maioria. Ficaram vencidos a ministra relatora, Nancy Andrighi, e o desembargador convocado Paulo Furtado.
O apostador questionou judicialmente a legalidade da referida ação de execução. Sustentou, entre outros pontos, que o título que fundamenta a execução promovida pelo Jockey Club de São Paulo é inexigível, já que a legislação só permite a realização de apostas de corridas de cavalo em dinheiro e nas dependências do hipódromo, não prevendo a concessão de empréstimos em dinheiro e a realização de apostas por telefone.
A Justiça paulista entendeu que não houve qualquer vício no procedimento das apostas ou na concessão de crédito ao apostador, já que as apostas foram efetuadas em dinheiro e integraram o rateio dos páreos em que ele apostou; que, mesmo feitas por telefone, as apostas foram confirmadas pelo próprio recorrente quanto à sua realização; o título que fundamentou o ajuizamento da ação de execução foi assinado pelo recorrente; e o contrato e as notas promissórias tiveram valor certo e determinado.
O apostador recorreu ao STJ. Alegou que a cobrança é juridicamente impossível, pois viola o artigo 1.477 do Código Civil de 1916 - "as dívidas de jogo, ou aposta, não obrigam ao pagamento" - e o disposto na Lei 7.291/84 e no Decreto-Lei 96.993/88, que exigem pagamento em dinheiro e realização de apostas exclusivamente nas dependências do hipódromo.
Acompanhando a divergência aberta pelo ministro Massami Uyeda, a Turma concluiu que o artigo 1.477 do CC/1916 não se aplica a jogos legalmente permitidos, como é o caso da aposta em corrida de cavalos, atividade expressamente regulamentada pela Lei 7.291/84 e pelo Decreto 96.993/88.
Segundo o ministro, não existe qualquer nulidade na execução do título extrajudicial promovido pelo Jockey Club. Ele ressaltou que, embora as referidas normas legais prevejam a realização de apostas em dinheiro e nas dependências do hipódromo, em nenhum momento proíbem a realização delas por telefone e mediante o empréstimo de dinheiro da banca exploradora ao apostador.
Por maioria, a Turma seguiu a posição e a conclusão defendida no voto-vista do ministro Massami Uyeda: "Entender pela abusividade de tal prática leva ao enriquecimento ilícito do apostador e fere ao princípio da autonomia da vontade, que permeia as relações de Direito Privado, onde, ao contrário do Direito Público, é possível fazer tudo aquilo que a lei não proíbe".
No voto vencido, a relatora entendeu que a concessão de empréstimo ao jogador pelo Jockey Club é uma prática claramente abusiva: "Não se trata de premiar a má-fé do jogador que toma o empréstimo e se recusa ao pagamento, mas simplesmente de reconhecer que o Jockey Club não pode conceder empréstimos".
Fonte: Coordenadoria de Editoria e Imprensa - STJ
23 março 2010
I Torneio "Volta Gustavo Leite"
Escolher entre a excepcional e a fora de série
Vamos interagir mais!
Resultado do IV Torneio É Turfe
CLASSIFICAÇÃO
---- Nomes---------------------- Pontos---- Rateios
1 ARON CORREA:------------------ 3--------5,80
2 JULIO CÉSAR FERREIRA:-------2-------- 5,60
3 SÉRGIO CHRISTIANINI: ----------2-------- 4,90 (deu azar de ter marcado dois forfaits)
4 ALBERTO DE ARAUJO:----------2-------- 4,80
5 ANÔNIMO DO RS:---------------- 2-------- 3,90
6 GUILHERME GENZINI:----------- 2-------- 3,50
7 ANÔNIMO DE LONGE:----------. 2-------- 2,80
22 março 2010
21 março 2010
Ligeirinhas
20 março 2010
IV Torneio É Turfe
GV/SEXTA/1/UTOPIAN/2
GV/DOMINGO/6/TOO FRIENDLY/6
GV/DOMINGO/7/FASCINANTE DEMAIS/4
GV/SEGUNDA/10/ASIA DE CUBA/7
2-LETICIA GAMA DE MEDEIROS:
GV/SABADO/11/I LOVE CAROL/3
GV/DOMINGO/1/IF YOU WANT/3
GV/DOMINGO/2/ACELERATED/5
GV/DOMINGO/5/REAÇÃO EM CADEIA/2
3-GUILHERME GENZINI:
CJ/SEGUNDA/3/ROSENMANNS/3
CJ/SEGUNDA/6/HIGH FIGHT/7
CJ/SEGUNDA/7/GSTAAD/1
CJ/SEGUNDA/8/VISIGOTH KING/6
4-MARIEL MOZART:
GV/SÁBADO/8/HEART OF LOVE/3
GV/SÁBADO/9/CORONOPUS/7
CJ/DOMINGO/3/INSTANCE OF ESTEEM/3
GV/DOMINGO/9/OLYMPIC HEIGHTS/7
5-FELIPE MEINICKE:
GV/SEXTA/1/UTOPIAN/2
GV/SEXTA/5/NOVA INTERFACE/5
GV/DOMINGO/3/DARTH VADER/4
CJ/DOMINGO/6/VIZCAINA/3
6-JULIO CÉSAR FERREIRA:
GÁVEA/SÁBADO/4/VESPER OF LOVE/7
GÁVEA/SÁBADO/5/SPRING SMELL/2
GÁVEA/SÁBADO/6/SNACK BAR/3
GÁVEA/SÁBADO/7/(PEÇA ÚNICA/HARRY)/(3/5)
7-JULIANO PAZ MOREIRA:
GV/SEXTA/11/OURUDO/03
GV/SÁBADO/06/SNACK BAR/03
GV/DOMINGO/02/ACELERATED/05
GV/DOMINGO/04/CHAROV/05
8-JEFERSON PAZ MOREIRA:
GV/SEXTA/4/REI CHACO/3
GV/SEXTA/8/(MARIA LILIA/FULL METAL JACKET)/(4/5)
GV/SÁBADO/7/NIOBIUM/6
GV/DOMINGO/5/DO IT QUICK/6
9-ROBERTO FELIZZOLA:
CJ/SÁBADO/3/IMPRESSO/4
CJ/SÁBADO/6/PRINCESS FAMOUS/4
CJ/SÁBADO/10/REALLY SPECIAL/3
CJ/SÁBADO/11/ZAS TRAS/2
10-ALBERTO DE ARAUJO:
GV/SABADO/1/ATLANTE/4
GV/SABADO/2/GRANDE-JAYDER/6
GV/SABADO/4/MARIA MARAVILHA/5
GV/SABADO/5/SPRING SMELL/2
11-JOÃO CAMARGO:
CJ/SAB/3/IMPRESSO/4
CJ/SAB/4/HEDIARD/6
CJ/DOM/1/DEMOCRATA/5
CJ/DOM/10/OUR FEITICEIRA/5
12-PEDRINHO PISCA:
CJ/SABADO/7/(IJUBINHA/BARBADA DO URUBU)/4
GV/DOMINGO/6/TOO FLIENDLY/6
GV/DOMINGO/9/(OLYMPIC HEIGHTS/OLYMPIC IMPERIAL)/(7/8)
CJ/DOMINGO/10/POSE IMPERIAL/12
13-EL ARAGONES:
GV/SABADO/2/MONDAY BLUES/2
GV/DOMINGO/7/(SIMPLY THE BEST/MADEMOISELLE CATHY)/(10/11)
GV/DOMINGO/8/DEEP LOVE/2
GV/SEGUNDA/2/IT IS A FIGHTER/1
14-MIRANDA NETO:
GV/SEXTA/9/SOVIET/4
CJ/SÁBADO/6/MISMIX/1
GV/DOMINGO/6/TIMEO/3
GV/SEGUNDA/6/RECOMPENSADO/7
15-AIRTON REBOUÇAS:
GV/SEXTA/4/BIZUNGA DA VILA/4
GV/SEXTA/5/ELLIS NINA/7
GV/SEXTA/7/PROFESSOR CHICO/7
GV/SABADO/11/I LOVE CAROL/3
16-THOMAS WEDA:
GV/SEXTA/6/QUADRIALADO/7
GV/SEXTA/7/PROFESSOR CHICO/7
CJ/DOMINGO/1/VERTIGO PLACE/4
CJ/DOMINGO/6/VIZCAINA/3
17-ANÔNIMO DO RS:
GV/SABADO/6/ISO INCONTESTE/6
CJ/SABADO/7/IJUBINHA/BARBADA DO URUBU/4
CJ/DOMINGO/1/VERTIGO PLACE/4
GV/DOMINGO/8/DEEP LOVE/2
18-JULIO PONTE:
GV/SEXTA/7/PROFESSOR CHICO/7
GV/DOMINGO/9/ROCK IN RIO/4
GV/SEGUNDA/7/(TANESSA/TCHUTCHUCA)/(2/5)
GV/SEGUNDA/8/HAPPY BEST/3
19-MELIA:
GV/SEXTA/4/HORA DO RUSH/1
GV/SEXTA/8/MARIA LILIA/4
GV/SEXTA/9/SOVIET/4
GV/SEXTA/11/LORD AMPARO/7
20-JOACI MONTEIRO:
GV/SEXTA/1/NAZÁRIO/1
GV/SEXTA/2/PORTAINER/4
GV/SEXTA/5/ELLIS NINA/7
GV/SEXTA/6/QUADRIALADO/7
21-ANÔNIMO DE LONGE:
CJ/SÁBADO/3/(ROCKWELL/SAVE THE DATE)/2
GV/SEXTA/7/PROFESSOR CHICO/7
GV/SABADO/6/SNACK BAR/3
GV/DOMINGO/4/CHAROV/5
GV/DOMINGO/9/ACTEON BOY/12
23-ALEXANDRE REPUBLICANO:
GV/SEXTA/3/SETEMILLA/1
GV/SEXTA/4/BIZUNGA DA VILA/4
GV/SEXTA/8/(MARIA LILIA/FULL METAL JACKET)/(4/5)
GV/SEXTA/9/BOTOCUDO/4
24-C.FERREIRA:
GV/SÁBADO/1/ATLANTE/4
GV/DOMINGO/6/TOO FRIENDLY/6
GV/DOMINGO/7/FASCINANTE DEMAIS/4
GV/SEGUNDA/4/TIMBROS/7
25-SÉRGIO CHRISTIANINI: (marcou dois animais que acabaram fazendo forfait, por isso a indicação foi invalidada )
CJ/SÁBADO/6/RED S SONG/2
CJ/SÁBADO/9/ABMAEL/6
CJ/DOMINGO/1/VERTIGO PLACE/4
GV/SEGUNDA/5/SELO SUIÇO/7
26-LUIZ CARLOS BARBOSA:
GV/SEXTA/5/ELLIS NINA/7
CJ/SÁBADO/9/SANKAY/1
GV/DOMINGO/6/TOO FRIENDLY/6
GV/DOMINGO/7/SIMPLY THE BEST/10
27-RICARDO RAVAGNANI:
GV/ SÁBADO/4/VESPER OF LOVE/7
GV/DOMINGO/9/ANOTHER SHOW/6
CJ/SÁBADO/2/LAKE STORM/7
CJ/SÁBADO/7/UIOBÁ/5
28-ARON CORREA:
GV/SEXTA/11/OURUDO/3
GV/SEGUNDA/11/OTELO/7
CJ/SÁBADO/2/PRINCE EMBLEM/5
CJ/DOMINGO/1/VERTIGO PLACE/4
19 março 2010
Coisa estranha
Bomba!
Ação contra o Edital do JCSP é considerada procedente
Premiação IV Torneio É Turfe
18 março 2010
Ligeirinhas
O Navio Negreiro
Na escola é poema obrigatório, mas nessa idade não temos maturidade suficiente para admirarmos o belo, pelo menos eu não tinha. Muito tempo depois, comprei um cd do Caetano que tinha parte dos versos declamados e musicados (clique aqui para ouvir). Aí sim pude ver a genialidade de Castro Alves. Apenas 22 anos tinha o poeta quando verteu ao povo brasileiro o seu grito de indignação contra a escravidão do humano para o humano, do branco para o negro. Poesia digna de figurar entre as melhores já escritas.
Hoje no You Tube, descobri estes versos fortes mas que são capazes de quebrar a resistência dos corações mais empedrados, na voz de Paulo Autran. Senhores é impressionante a cadência desta declamação. Tenho certeza que o autor do vídeo, assim o fez, na intenção de comover e chocar a quem o assiste. De fato, conseguiu, pois pegou para pano de fundo da poesia, o filme de Steven Spielberg, Amistad, com cenas realmente muito fortes. Espero que gostem (abaixo do vídeo vai a poesia completa, bem extensa, e que também não é declamada inteira por Paulo Autran).
O Navio Negreiro
(Tragédia no mar)
'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.
'Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro...
'Stamos em pleno mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...
'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...
Donde vem? onde vai? Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço.
Bem feliz quem ali pode nest'hora
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo — o mar em cima — o firmamento...
E no mar e no céu — a imensidade!
Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!
Homens do mar! ó rudes marinheiros,
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!
Esperai! esperai! deixai que eu beba
Esta selvagem, livre poesia,
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia...
..........................................................
Por que foges assim, barco ligeiro?
Por que foges do pávido poeta?
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira
Que semelha no mar — doudo cometa!
Albatroz! Albatroz! águia do oceano,
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,
Sacode as penas, Leviathan do espaço,
Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas.
II
Que importa do nauta o berço,
Donde é filho, qual seu lar?
Ama a cadência do verso
Que lhe ensina o velho mar!
Cantai! que a morte é divina!
Resvala o brigue à bolina
Como golfinho veloz.
Presa ao mastro da mezena
Saudosa bandeira acena
As vagas que deixa após.
Do Espanhol as cantilenas
Requebradas de langor,
Lembram as moças morenas,
As andaluzas em flor!
Da Itália o filho indolente
Canta Veneza dormente,
— Terra de amor e traição,
Ou do golfo no regaço
Relembra os versos de Tasso,
Junto às lavas do vulcão!
O Inglês — marinheiro frio,
Que ao nascer no mar se achou,
(Porque a Inglaterra é um navio,
Que Deus na Mancha ancorou),
Rijo entoa pátrias glórias,
Lembrando, orgulhoso, histórias
De Nelson e de Aboukir.. .
O Francês — predestinado —
Canta os louros do passado
E os loureiros do porvir!
Os marinheiros Helenos,
Que a vaga jônia criou,
Belos piratas morenos
Do mar que Ulisses cortou,
Homens que Fídias talhara,
Vão cantando em noite clara
Versos que Homero gemeu...
Nautas de todas as plagas,
Vós sabeis achar nas vagas
As melodias do céu!...
III
Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais ... inda mais... não pode olhar humano
Como o teu mergulhar no brigue voador!
Mas que vejo eu aí... Que quadro d'amarguras!
É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ...
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!
IV
Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...
Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!
E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...
Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!
No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."
E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Qual um sonho dantesco as sombras voam!...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!...
V
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!
Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...
São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão...
São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel...
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael.
Lá nas areias infindas,
Das palmeiras no país,
Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis...
Passa um dia a caravana,
Quando a virgem na cabana
Cisma da noite nos véus ...
...Adeus, ó choça do monte,
...Adeus, palmeiras da fonte!...
...Adeus, amores... adeus!...
Depois, o areal extenso...
Depois, o oceano de pó.
Depois no horizonte imenso
Desertos... desertos só...
E a fome, o cansaço, a sede...
Ai! quanto infeliz que cede,
E cai p'ra não mais s'erguer!...
Vaga um lugar na cadeia,
Mas o chacal sobre a areia
Acha um corpo que roer.
Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d'amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...
Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cúm'lo de maldade,
Nem são livres p'ra morrer. .
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
E assim zombando da morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoute... Irrisão!...
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!...
VI
Existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto!...
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...
Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!
São Paulo, 18 de abril de 1869.
(O Poeta, nascido em 14.03.1847,
tinha apenas 22 anos de idade)
16 março 2010
IV Torneio É Turfe - Regulamento
2) Os participantes terão de marcar apenas quatro indicações, tanto faz se mesclar os hipódromos ou se marcar para apenas um deles.
Obs. Os rateios para efeito de soma, serão os do hipódromo de origem (indicação da GV rateio pela pedra da GV, indicação de CJ, rateio pela pedra de CJ).
3) No caso específico da Gávea, se o número indicado em determinado páreo, corresponder a uma parelha, o apostador concorre com os dois números, valendo para efeito de soma, em caso de acerto, o rateio pago ao vencedor do mesmo.
4) O formato do prognóstico deve obedecer a seguinte ordem: Hipódromo/reunião/número do páreo/nome do animal/número do animal
Exemplos:
a- CJ/Sábado/3/Puglia/5
b- GV/ Sábado/7/(Peça Única/Harry)/(3/5) Aqui, em um caso específico de parelha.
Obs. Atenção, não serão aceitas indicações que não seguirem este modelo.
5) O participante que marcar forfait, desde que não seja parelha e desde que não seja forfait de programa, terá sua indicação considerada como acerto, com pule de 1,0. Porém, um prognóstico com duas indicações com forfait, elimina qualquer chance deste ser considerado um prognóstico vencedor
6) Os prognósticos devem ser mandados para aroncor@gmail.com , até o horário limite das 12:00h da próxima sexta-feira . Para evitar o uso de laranjas e prognósticos em duplicidade, me reservo o direito de checar eventuais nomes que não sejam conhecidos por mim.
7) Da premiação:
15 março 2010
Ligeirinhas
Indicações
Várias homenagens em um vídeo só
14 março 2010
Indicações
Pick3 (acumulada de placê também é boa)
13 março 2010
Incrível
12 março 2010
De Graciliano a Raul Seixas
Traços a esmo
Graciliano Ramos
Pensa-se em introduzir o futebol, nesta terra. É uma lembrança que, certamente, será bem recebida pelo público, que, de ordinário, adora as novidades. Vai ser, por algum tempo, a mania, a maluqueira, a ideia fixa de muita gente. Com exceção talvez de um ou outro tísico, completamente impossibilitado de aplicar o mais insignificante pontapé a uma bola de borracha, vai haver por aí uma excitação, um furor dos demônios, um entusiasmo de fogo de palha capaz de durar bem um mês.
Pois quê! A cultura física é coisa que está entre nós inteiramente descurada. Temos esportes, alguns propriamente nossos, batizados patrioticamente com bons nomes em língua de preto, de cunho regional, mas por desgraça estão abandonados pela débil mocidade de hoje. Além da inócua brincadeira de jogar sapatadas e de alguns cascudos e safanões sem valor que, de boa vontade, permutamos uns com os outros, quando somos crianças, não temos nenhum exercício. Somos, em geral, franzinos, mirrados, fraquinhos, de uma pobreza de músculos lastimável.
A parte de nosso organismo que mais se desenvolve é a orelha, graças aos puxões maternos, mas não está provado que isto seja um desenvolvimento de utilidade. Para que serve ser a gente orelhuda? O burro também possui consideráveis apêndices auriculares, o que não impede que o considerem, injustamente, o mais estúpido dos bichos. (...) Fisicamente falando, somos uma verdadeira miséria. Moles, bambos, murchos, tristes - uma lástima! Pálpebras caídas, beiços caídos, braços caídos, um caimento generalizado que faz de nós um ser desengonçado, bisonho, indolente, com ar de quem repete, desenxabido e encolhido, a frase pulha que se tornou popular: "Me deixa..." Precisamos fortalecer a carne, que a inação tornou flácida, os nervos, que excitantes estragaram, os ossos que o mercúrio escangalhou.
Consolidar o cérebro é bom, embora isto seja um órgão a que, de ordinário, não temos necessidade de recorrer. Consolidar o muque é ótimo. Convencer um adversário com argumentos de substância não é mau. Poder convencê-lo com um grosso punho cerrado diante do nariz, cabeludo e ameaçador, é magnífico. (...)
Para chegar ao soberbo resultado de transformar a banha em fibra, aí vem o futebol.
Mas por que o futebol?
Não seria, porventura, melhor exercitar-se a mocidade em jogos nacionais, sem mescla de estrangeirismo, o murro, o cacete, a faca de ponta, por exemplo? Não é que me repugne a introdução de coisas exóticas entre nós. Mas gosto de indagar se elas serão assimiláveis ou não.
No caso afirmativo, seja muito bem vinda a instituição alheia, fecundemo-la, arranjemos nela um filho híbrido que possa viver cá em casa. De outro modo, resignemo-nos às broncas tradições dos sertanejos e dos matutos. Ora, parece-nos que o futebol não se adapta a estas boas paragens do cangaço. É roupa de empréstimo, que não nos serve.
Para que um costume intruso possa estabelecer-se definitivamente em um país é necessário, não só que se harmonize com a índole do povo que o vai receber, mas que o lugar a ocupar não esteja tomado por outro mais antigo, de cunho indígena. É preciso, pois, que vá preencher uma lacuna, como diz o chavão.
O do futebol não preenche coisa nenhuma, pois já temos a muito conhecida bola de palha de milho, que nossos amadores mambembes jogam com uma perícia que deixaria o mais experimentado sportman britânico de queixo caído. (...)
Temos esportes em quantidade. Para que metermos o bedelho em coisas estrangeiras? O futebol não pega, tenham a certeza. Não vale o argumento de que ele tem ganho terreno nas capitais de importância. Não confundamos.
As grandes cidades estão no litoral; isto aqui é diferente, é sertão. As cidades regurgitam de gente de outras raças ou que pretende ser de outras raças; não somos mais ou menos botocudos, com laivos de sangue cabinda ou galego.
Nas cidades os viciados elegantes absorvem o ópio, a cocaína, a morfina; por aqui há pessoas que ainda fumam liamba. (...)
Estrangeirices não entram facilmente na terra do espinho. O futebol, o boxe, o turfe, nada pega.
Desenvolvam os músculos, rapazes, ganhem força, desempenem a coluna vertebral. Mas não é necessário ir longe, em procura de esquisitices que têm nomes que vocês nem sabem pronunciar.
Reabilitem os esportes regionais que aí estão abandonados: o porrete, o cachação, a queda de braço, a corrida a pé, tão útil a um cidadão que se dedica ao arriscado ofício de furtar galinhas, a pega de bois, o salto, a cavalhada e, melhor que tudo, o cambapé, a rasteira.
A rasteira! Este, sim, é o esporte nacional por excelência!
Todos nós vivemos mais ou menos a atirar rasteira uns nos outros. Logo na aula primária habituamo-nos a apelar para as pernas quando nos falta a confiança no cérebro - e a rasteira nos salva.
Na vida prática, é claro que aumenta a natural tendência que possuímos para nos utilizarmos eficientemente da canela. No comércio, na indústria, nas letras e nas artes, no jornalismo, no teatro, nas cavações, a rasteira triunfa.
Cultivem a rasteira, amigos!
E se algum de vocês tiver vocação para a política, então sim, é a certeza plena de vencer com auxílio dela. É aí que ela culmina. Não há político que a não pratique. Desde S. Exa. o senhor presidente da República até o mais pançudo e beócio coronel da roça, desses que usam sapatos de trança, bochechas moles e espadagão da Guarda Nacional, todos os salvadores da pátria têm a habilidade de arrastar o pé no momento oportuno.
Muito útil, sim senhor.
Dediquem-se à rasteira, rapazes.
Faço minhas previsões turfísticas na análise dos páreos e coloco-as à disposição do nobre leitor. Quase sempre, ao estilo de Graciliano, mas devo ressaltar que também tenho meus dias de Nostradamus, embora o que eu quisesse mesmo era servi-los na forma de um Raul Seixas que disse: "eu nasci há dez mil anos atrás e não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais"...