Por Laércio Sábato
Ontem tive que quebrar a rotina e não pude acompanhar o início das corridas da Gávea e Tarumã, por um motivo mais que justificável: reunião de pais na escola de minha filha mais nova, a Luiza, que agora em Março completou 6 anos. Encerrada as avaliações do primeiro bimestre, já ia me despedindo da professora, quando alguns desenhos no canto de sua mesa me chamaram a atenção, especialmente o que estava por cima, do André, um garoto de 5 anos, cuja mãe já tinha se retirado. Arrisquei perguntar:
- Professora, que desenhos são estes aqui na sua mesa, fora das pastas?
- Ah, são alguns presentes que eles me dão. Quase sempre me trazem de suas casas e eu fico orgulhosa por lembrarem de mim, disse ela.
O do André sobressaía. Pedi emprestado para copiar e reproduzo abaixo :
Francamente não conheço os pais do garoto e não deu para saber de antemão se têm contato direto com as corridas. Seria filho de um jóquei? De uma veterinária? De um proprietário ou criador? Ou, quem sabe, de um turfista apaixonado, como nós? Vou procurar me informar. O que impressiona é a riqueza dos detalhes (número na manta, óculos do piloto, ligas etc).
Só sei que voltei para casa pensando: Com “zero” de mídia como é que o menino foi sobrepor o cavalo de corrida sobre as imagens do futebol, dos carros de fórmula 1, e aí por diante?
E é claro que me convenci que temos um longo caminho a percorrer (ou retomar) no sentido de acostumar as nossas crianças a encarar o turfe como um esporte e um ambiente de prazer.
Nos anos 50, quando comecei a ir ao Jockey (época do Gualicho e por coincidência início da televisão no Brasil) o histórico Circo do Arrelia, se apresentava em Cidade Jardim, nas tardes de domingo. Contei isso ao atual vice-presidente, Ricardo Vidigal, outro dia, que me pareceu algo incrédulo (por outra coincidência, seu apelido é o mesmo do parceiro do Arrelia).
E já que estou com o pé nessa estrada, vou lembrar que muito anos atrás sugeri à Diretoria do JCSP (inclusive ao Pasquale Rosa, em uma gestão anterior) que utilizassem o muitas vezes ocioso Tattersall, aos domingos, como teatro de arena infantil. Com portão exclusivo para a Av. Linneo e amplo estacionamento. Parece mais interessante que a remodelação dos brinquedos do “playground da pelouse” (que horror!).