Mostrando postagens com marcador história. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador história. Mostrar todas as postagens

29 novembro 2016

Meninos eu vi

Stud Figuron & VarandaAssisti algumas corridas com Mario Sergio Pontes de Paiva, única pessoa que conhecia da lista dos mortos deste terrível acidente. Menino ainda e achando futebol o melhor esporte do mundo (hoje pouco me importo com o que acontece dentro das quatro linhas), assisti o Mario jogar pelo Internacional. Neste time tinha também Falcão. Pode ser que posteriormente tenha havido um escrete melhor do que esse, pode ser que, no meu fanatismo de guri, tenha exaltado demais esse elenco, talvez o Flamengo de Zico possa lhe fazer sombra, mas isso agora não me importa. O que importa é que Mario faz parte dessa melhor memória e na pessoa dele, rendo homenagem a todos os outros que faleceram na madrugada desse 29 de Novembro.
Se futebol pode ser traduzido em poesia, Mário e seu Internacional me fazem lembrar de Gonçalves Dias e seu I Juca Pirama: Meninos eu vi!

08 março 2015

O Turfe Que eu Vivi

Stud Figuron & Varanda Por Olavo Rosa Filho

Pules e Acumuladas

Nasci no Rio de Janeiro, e conforme minha mãe contava, eu ia no jóquei dentro dela, antes de nascer e o meu primeiro passeio, com direito a carrinho, chupeta e gorrinho foi no Hipódromo da Gávea, talvez por isso eu até hoje

carrego esta paixão.

Mudamos para São Paulo em fins 44 e fomos morar rua Miragaia, a 300m

do portão da Vila Hípica, essa proximidade, fazia com que eu acompanhasse

o turfe desde muito pequeno e todos os fatos aqui narrados são da minha

memória.

As poules eram impressas, vencedor, placê e dupla, tinham um fundo

colorido, amarelo, rosa e verde, e algumas marcas de segurança, mas

se houvesse impressoras de hoje naquele tempo, seria a coisa mais fácil

de fraudar, todavia até o início dos anos 70, quando foram implantadas a

maquinas de aposta, nunca houve caso de falsificação. Muita gente guardava

uma de lembrança de um Grande Premio, de um passeio com a noiva, de um

aniversario. Quando corria um páreo, milhares delas eram arremessadas ao

chão e havia funcionários com um espeto de metal, que pacientemente iam

recolhendo aqueles papeizinhos coloridos.

As acumuladas, instituídas nos anos 30/40 pelo presidente Herculano de

Freitas, eram feitas a mão, com funcionários que tinham uma letra bem bonita,

em 3 cópias com carbono. Havia também mensageiros com uma prancheta

onde eram colocadas as poules daquele páreo e eles as vendiam aos sócios

nas mesas, sempre eles. Havia a necessidade de prever quanto seria vendido

para cada cavalo, saber quais seriam os favoritos, e tinha gente que fazia isso

com perfeição, mesmo em dia de Grande Premio era difícil o uso de poules

extras.

Os jóqueis faziam o cânter e voltavam para a Sala, onde esperavam ordem

de montar para a largada, que era feita com fita, não havia partidor. Nesse 10

ou 15 minutos, todo o movimento era calculado a mão, não havia totalizador, e

com muita precisão, a diferença entre um páreo e outro era de 40 minutos OU

MAIS e ninguém reclamava.

Os funcionários que vendiam e pagavam poules e acumuladas tinham

conhecimento de turfe, sabiam o que estavam vendendo, conheciam os cavalos,

jóqueis, treinadores, muitos deles trabalhavam com a revista Turf & Elegância,

depois O Coruja, junto ao guichê e trocavam opiniões com os apostadores,

tinha um que se chamava Waldemar, que era o mais procurado por gente que

queria saber os palpites dele. um verdadeiro catedrático.

Como dizia Chico Buarque, “e para meu desencanto a coisa doce acabou”

e hoje temos totalizador, CPD, internet, simulcasting, race day, workouts,

MGA (menos gente apostando), agências, apostas on line, mas turfista acabou,

menos nós que resistiremos até o ultimo combatente.

09 outubro 2014

Teophilo de Vasconcellos e Luis Reis

Stud Figuron & VarandaPor El Aragones

Justíssima a  homenagem a Teophilo de Vasconcellos, locutor oficial do JCB na época de ouro e considerado, por muitos ( inclusive pelo inesquecível Ernani Pires Ferreira ), como o maior locutor de todos os tempos. Teóphilo tinha bordões estupendos, inclusive aquele que anunciava os comentários da carreira  feitos, em dado momento, pelo grande compositor, pianista e boêmio Luis Reis ( que naquele tempo tinha uma vasta cabeleira e, por isso, Teóphilo dizia "habla Cabellera " ). Luis Reis, infelizmente, não tem sido lembrado pelo JCB em suas homenagens póstumas mas foi uma daquelas pessoas que engrandeceram o nome do turfe em sua época. Excelente compositor, autor de canções inesquecíveis como " Palhaçada", "Nossos Momentos", "Canção da Manhã Feliz" ( gravação imortal de Nana Caymmi ), " Tudo é Magnífico" e muitas outras, inclusive compondo para carnavais (Bloco de Sujo ), Luis foi também um boêmio de primeira e um pianista muito bom ( tocou anos no bar do Real Astória, que ficava ao lado do restaurante do mesmo nome no Leblon no Rio de Janeiro ). Eu o conheci no final da década de 60 , início dos anos 70, na mesma ocasião em que conheci seu mais ilustre parceiro, Haroldo Barbosa ( o Pangaré ). Apesar da grande diferença de idade, sempre fomos amigos e lembro-me de uma ocasião em que , saído do bar da fossa no Leme, aonde cantava a rainha Valeska, em companhia de meu amigo de sempre, João Guedes, demos de cara com Luis que se fazia acompanhar do conjunto vocal "As Gatas", formado por 4 mulatas avantajadas e que recém haviam gravado uma de suas canções. Nos abraçamos e cada um seguiu seu caminho, quando então virei-me para o meu amigo e disse:" Que  legal, ele te reconheceu e ficou feliz em te ver ", ao que ele prontamente me respondeu: " Deve ter bebido um pouco, já que totalmente sóbrio não costuma me reconhecer" . Luis Reis era muito simples, um tipo bonachão, desses que não se fazem mais em lugar nenhum e me pergunto o que terá acontecido com a "Polaca", sua companheira por longos anos. Morto em 1980, Luis deu uma enorme contribuição para a música brasileira e seria muito bom que o JCB dele se lembrasse , da mesma forma que se lembra de outro grande cronista que foi Heitor de Lima e Silva, o popular "Bolonha". De Luis Reis, de Valeska e Josemir ( que espero estejam bem  ), de Lucio Alves,  e, sobretudo de Otávio de Morais, só tenho boas lembranças e muita saudade.

04 junho 2014

Pra não dizer que não falei de exceções

Stud Figuron & VarandaPor El Aragones

Aron e demais amigos do blog,
Embora sabedor que nem o dono deste blog se interessa mais por ele, teimoso como sou insisto. Assim, no próximo dia 07 (data inesquecível ), o Jcb homenageia os irmãos Nelson e Roberto Grimaldi Seabra, maior criação brasileira dos anos 50 e 60 e, talvez, de todos os tempos. O haras Guanabara tornou-se, em pouco tempo, um haras de excelência, com a importação de garanhões do quilate de Orsenigo, Royal Forest, Locris, Radar e Coaraze entre outros, os quais formaram craques indescritíveis como Tirolesa, Dulce, Lohengrin, Escorial, Buccarest, Emerald Hill e Emerson dentre muitos outros. Gostaríamos de ressaltar em especial 3 nomes, a começar pelo craque Escorial ( Orsenigo e Escoa ), primeiro cavalo brasileiro a vencer o Gp Carlos Pellegrini e o GP 25 de Mayo na Argentina. Seguimos com a fabulosa Emerald Hill ( Locris e Embuia ), primeira égua brasileira a brilhar em pistas americanas. E fechamos com o inigualável Emerson ( Coaraze e Empenosa ), único cavalo brasileiro a vencer os 3 Derbies, o Derby Paulista, o Derby Brasileiro e o Derby Sul Americano, derrotando nessas provas animais do porte de Sobressalto ( argentino vencedor do GP Nacional ), Ortille (vencedor do GP Brasil ), Sing Sing ( vencedor do GP São Paulo e também do Haras Guanabara ) e Picareo (vencedor do Derby uruguaio ). Importado para a França tornou-se um garanhão de grandes méritos, já que foi o pai de Rescousse que venceu o Prix de Diane e fez segundo no Prix de L'arc de Triomphe. Portanto, ao contrário de animais ditos craques e que jamais correram em outros hipódromos que não os de origem e que venceram sempre os mesmos competidores que não eram animais de primeira grandeza, Emerson foi, ele sim, o craque dos craques.
Assim, nada mais justa que a lembrança desses gentlemen que honraram as tradições, permitindo que aquele garoto de Ipanema pudesse ver e ouvir ( sempre na voz de Teófilo de Vasconcelos) os grandes craques de então, além de joqueadas memoráveis de gênios como Francisco Yrigoyen e Luis Rigoni.
Dos Seabra e daqueles tempos, minha eterna saudade.

30 janeiro 2014

A Munheca de Ouro e o Hubble redivivo

A história de Marina Lezcano foi assim: menina de classe média que estudava piano e inglês. Um belo dia, a caminho da escola, deu de cara com a tordilha Tanita. Dizem que nesta vida, em algum momento, se nasce  de novo. Nesse dia nasceu Marinita "Muñeca de Oro" Lezcano, talvez a maior joqueta de todos os tempos.

 Por suas mãos passaram nomes com Cipayo, First Moon, Babor, Sexerns, Fort de France, além da campeã argentina nos Estados Unidos, Bayakoa. Só o fato de ter montado estas estrelas, já lhe colocaria em qualquer lista dos melhores.
Porém, não é este fato ,aliado com ter ganho um Pellegrini, que a distinguiu, e sim descobrir o segredo de Telescópico.

Lezcano e Telescópico
Peço um pequeno intervalo para falar deste brilhante animal: dizem que os pais de Telescópico, Table Play e Filipina, são considerados pelos argentinos como um dos melhores cruzamentos de todos os tempos, já que além de nosso campeão, deu também Taba e Telefonico outros dois brilhantes exemplares do PSI. Acontece que Telescópico era mais novo que seus irmãos famosos, animais que saíram ganhando já em suas primeiras apresentações. Isto não
aconteceu com nosso herói, que foi apresentado a Lezcano depois de alguns insucessos em que não viu a cara do vencedor. Segundo seu treinador o renomado Juan Bianchi, não havia jeito de fazer o filho de Table Play confirmar,  era o que nós brasileiros conhecemos como ladrão de trabalho.

Volto a falar de nossa joqueta, mas em parceria com aquele que segundo ela, foi o melhor cavalo que teve a honra de montar, este que foi mencionado no parágrafo anterior. Bianchi, já meio desiludido com seu pupilo, deu sua montaria para Lezcano. Esta que nunca foi adepta de usar em demasia o chicote, conta que nesta primeira oportunidade, Telescópico vinha muito bem na frente e que, instintivamente, quando os de trás se aproximaram usou da tala e ele simplesmente retrocedeu. Ao pular do cavalo disse: "me dê mais uma oportunidade, ele vai ganhar e nele, nunca mais uso o chicote". Dito e feito, na sua atuação posterior, Telescópico abandonou o perdedor, deixando o segundo colocado a 15 corpos.

A corrida foi tão boa que entusiasmou os seus responsáveis a inscrevê-lo na Polla de Potrillos, a primeira prova da tríplice coroa, na milha. Força mediana da carreira, não decepcionou em quem lhe deu uma chance de brilhar. Vitória por pequena margem, mas vitória.

Um mês depois, ainda descrente dos apostadores (cabe ressaltar que à parte o potro até então não ter uma campanha de campeão, era brutal o machismo no mundo turfístico) no GP Jockey Club, em 2200 metros, Telescópico, mais uma vez por pequena margem, derrotava o mesmo adversário da corrida anterior, Botón.

Sonhar é bom e Telescópico fazia o seu "staf" sonhar.  Chegava a hora do GP Nacional, broche final e consagratório para os três anos da geração. Treze largaram para uma plateia de mais de 65 mil pessoas. Telescópico, Marina e Biachi alcançavam a tríplice coroa e a fama.

A despeito de suas vitórias e da mesma forma como ocorreu em São Paulo com Fixador, último tríplice coroado paulista, ainda existiam dúvidas a respeito do real poderio locomotor de Telescópico. As três vitórias tinham sido por apenas meio corpo de diferença, com Lezcano se desdobrando para passar pelos adversários a menos de 50 metros para o disco.  Sem negar fogo, sua equipe resolveu inscrevê-lo na prova mais importante do turfe Argentino, o GP Carlos Pellegrini, prova em que se defrontaria com os mais velhos e que é uma espécie de quádrupla coroa, em que os mais novos medem forças com os mais velhos. Eram vinte participantes de vários países, ao longo de 3 mil metros. Enfim, Telescópico era o favorito...

Até hoje não se sabe se por raiva (da inveja) ou  por orgulho (de ser o favorito), o castanho deu uma exibição que apenas os fora de séries conseguem dar. Fez o que nenhum ganhador de Pellegrini jamais chegou perto: deixar o segundo colocado a mais de 50 metros.

Alguns dados finais: Telescópico chegou a ser reprodutor no Brasil, por curto espaço. Servia no Haras Inshalla. Marina Lezcano montava em regime de freio, encerrou carreira em 1989 e hoje dirige a escola de aprendizes de La Plata. Deixo um tango em sua homenagem para encerrar a matéria.





29 janeiro 2013

Tributo a Luiz Rigoni

Por El Aragones

Será corrido no próximo domingo, na Gávea, o premio Luiz Rigoni, uma homenagem ao maior jóquei brasileiro de todos os tempos, o freio paranaense Luiz Rigoni.
Conta a lenda (descrita no livro Dá-lhe Rigoni, do jornalista José Perelmiter e confirmada por vários conhecidos meus) que, numa manhã de 1954, Rigoni foi visitar seu amigo Wilson Do Nascimento, cronista de turfe da velha guarda, em Copacabana. Como Wilson estivesse meio deprimido, Rigoni tratou de animá-lo, dizendo que naquele dia tinha tres barbadas, duas pilotadas por ele e uma outra por Oswaldo Ulloa, famoso jóquei na época. Wilson pediu dinheiro emprestado ao pai e acumulou os tres animais no duro e invertido, não sem antes saber de Rigoni porque indicava o animal pilotado por outro jóquei, já que ele próprio montava na prova.Rigoni lhe disse que seu animal vinha de parado,corria melhor na grama e que o cavalo pilotado por Ulloa tinha trabalhado para passar por cima. Jogo feito, Wilson foi para casa enquanto Rigoni se dirigiu a Gávea. Ao ligar o rádio, entretanto, e ouvir que os dois pilotados de Rigoni haviam vencido com boas pules,Wilson se animou todo e pegando um táxi foi para o clube ver o páreo do fecho da acumulada. Lá chegando percebeu que o cavalo de Ulloa pagava bem e, caso vencesse, a grana daria para comprar um apartamento pequeno na zona sul do Rio. Já visivelmente nervoso, viu o starter Ney Costa dar a partida e que o favorito Sileno tomou a ponta, seguido por Palermo,pilotado por Rigoni, com Prometheu, com Ulloa, próximo. Nas Especiais, Palermo toma a ponta mas Prometheu avança por fora e livra vantagem sobre o pilotado de Rigoni, já com os gritos de Wilson, fazendo as contas.Mas eis que sucede algo imponderável. Naquele tempo (impensável nos dias de hoje), Rigoni era tão idolatrado que possuia uma torcida uniformizada,que ia ao hipódromo apenas para ver seu ídolo vencer, não importava com que cavalo. Pois bem, ao ver que o cavalo do Rigoni custava a se entregar, por dentro, esses torcedores se levantaram e começaram com o grito de ' dá-lhe Rigoni, dá-lhe Rigoni' e para surpresa de Wilson, Palermo reagiu e foi para a foto com Prometheu, foto essa que ,para total desespero dele, acusou vantagem para o pilotado do Rigoni. Wilson, lívido, foi até o estacionamento esperar por seu amigo.Quando este chegou, de banho tomado, perguntou-lhe: "O que é que houve? ", ao que o paranaense respondeu "nada, simplesmente não aguentei". Não aguentou o que?, insistiu Wilson, ouvindo a seguinte resposta "não aguentei o povo gritando meu nome e algo estranho se passou, já que reuni todas as minhas forças e violinei como nunca. A sensação é irresistível". E aí Wilson descobriu que a glória também tem seu preço.
Num tempo em que seus adversários na raia eram Francisco Irigoyen, Juan Marchant,Oswaldo Ulloa, "El Negro" Dias,Emigdio Castillo e outros que tais, Rigoni era o único a levar multidões ao hipódromo. Rigoni de El Aragones de Viziane, de Terminal, de Embuche, de Quartier Latin, de Ugíaco (venceu essa prova com o braço enfaixado). Enfim, Luiz Rigoni, que com seu violino, fez com que eu e muitos outros se apaixonassem por corridas de cavalos. Para ele, minha singela homenagem.

16 agosto 2012

A RODADA DOCUMENTADA: SORTILÉGIO - 1943

 Por Olavo Rosa Filho



Muito se falou essa semana das rodadas que vitimaram os jóqueis L.Salles (Green Shot), F.Larroque (Projeto de Lei), L.F.Silva(Jureia), J.Ventura(Zahtar) e W.Blandi (Risada Boa), com consequentes ferimentos em Larroque, Salles e Ventura, uma tristeza de se ver.

Esse artigo é dedicado a eles em especial e a todos jóqueis brasileiros, para que tenham a proteção divina, não se machuquem e sejam felizes na sua profissão.

SORTILÉGIO, por The Painter e Fleche d"Or estava invicto em duas corridas, aos 4 anos. Na sua terceira apresentação foi favorito, largou, livrou 10 corpos na frente, vinha fácil, quando, a 20m do disco teve um enfarte e caiu fulminado. O jóquei, instintivamente, correu para a cerca, um milagre, nada sofreu, tanto que montou no páreo seguinte. Sortilégio, porém, morreu na hora.

Ferruccio Chieregatti, fotógrafo oficial do Jockey, colocava a câmera debaixo da cerca, como se fazia na Inglaterra, e quando os cavalos chegaram , ele ajustou a câmera no exato instante da queda. O resultado foi uma foto que ficou famosa, serviu de modelo para uma Cia de Seguros e foi enviada para Nova York, num concurso de fotos esportivas e ganhou: um prêmio em dinheiro e um diploma, grande façanha do velho Ferruccio, pai do Vicente e do Decio Chieregatti, narrador e fotógrafos oficiais.



Diz a lenda que um turfista que andava numa situação tenebrosa, jogou tudo e mais um pouco numa acumulada nos 3 primeiros páreos:

1ºpáreo: Usaul          - P.Vaz
2ºpáreo: Charro       - A. Gutierrez
3ºpáreo: Sortilegio  - O.Rosa

Já havia acertado os dois primeiros e quando Sortilégio passou na gerais com 10 corpos, ele olhou para cima e bradou, -"Quero ver parar esse agora!". Nesse momento, Sortilégio caiu e ele teve também um enfarte fulminante, morrendo na hora, idêntico ao cavalo.Lá se vão 70 anos e ouví muito esta história, se é verdade, não sei.

Recentemente um conhecido turfista fechou o pick 6 numa agência e teve um enfarte
também, vindo a falecer, infelizmente, dizem que a poule foi entregue a família dele.

01 agosto 2012

Grande Premio Brasil 1933: Mossoró, um herói brasileiro

 Por Olavo Rosa Filho

 O Hipódromo da Gávea foi fundado em 1926, graça a iniciativa de turfistas liderados por Linneu de Paula Machado, empresario paulista. Imaginou, dirigiu e deu até   apoio financeiro para sua construção. Linneu havia vivido e estudado na França, de onde trouxe a paixão pelo turfe. Como tinha muito potencial, possuidor de grandes áreas, montou o importantíssimo Haras São José & Expedictus, no município de Rio Claro, SP, de onde em quase 100 anos saíram os maiores cracks do turfe brasileiro.

Linneu de Paula Machado


 O hipódromo foi construído obedecendo as mais modernas concepções da época, com pista de grama (até então não existia na América do Sul), com projeto de autoria do arquiteto Francisco Couchet, que soube combinar o estilo Luis XV com a belíssima cidade do Rio de Janeiro, próximo ao Corcovado, Lagoa Rodrigo de Freitas, Pedra da Gávea,  Jardim Botânico.

 Após seis anos de funcionamento, faltava a realização do grande espetáculo, algo que chamasse a atenção de todo o país, e como não, do mundo inteiro. Na visão de Linneu,  era a chance para o belo hipódromo sair, em jornais, revistas, cinema, pelo mundo afora.

Para isso se mobilizou toda a coletividade turfística, dirigentes, criadores, proprietários, profissionais, imprensa, ninguém queria ficar fora deste evento histórico.

 Frederico Lundgren foi um imigrante sueco que trouxe o conhecimento de indústria e comércio de tecidos, com grande visão empresarial, montou um conglomerado de lojas, as Casas Pernambucanas, que tinha centenas de filiais pelo Brasil, mais até que o atual Pão de Açúcar, por exemplo.

Frederico Lundgren


Trouxe igualmente da Europa o gosto pelo turfe, adquiriu alguns animais, que corriam com sua farda ouro e azul e montou um pequeno haras no interior de Pernambuco, o Haras Maranguape, onde nasceu Mossoró, filho de Kitchner e Galathea, nacionais, sem nenhuma fama.

 Mossoró foi criado no agreste, comendo grama e milho, de vez em quando uma ração. Não parecia um puro sangue, tinha orelhas de abano, pescoçudo, ancas de burro, mas como disse Euclydes da Cunha "o sertanejo é antes de tudo um forte" e Mossoró era  forte mesmo, corria muito, ganhou várias provas, inclusive o 16 de julho, 15 dias antes do Brasil, mas com um campo pequeno, onde não estavam as feras guardadas para a grande prova, muitos deles importados até um ano antes.      

Mossoró: grande, feio e forte

Mas corredor fora de série. Aqui, vencendo o 16 de Julho.


 Voltando ao GP Brasil, foram inscritos 38 cavalos, só a farda do Linneu tinha 7 inscritos  (seis no nome dele e um no do cunhado), no fim só poderiam correr 22, alguns forfaits naturais aconteceram e depois houve uma seleção, que não foi fácil, como dissemos, ninguém queria perder a chance de ter sua farda eternizada na foto dos jóqueis.



Correram como principais nomes:
Mossoró (já comentado) com seu faixa Caicó, ambos nacionais ,  Frederico Lundgren. Myrthée e Bosphore (França) , Linneu de Paula Machado .
Big Ideal (França) , Guilherme   Guinle.
Importados especialmente para correr o GP Brasil:     
Violator (Inglaterra) Stud E. & A. Assumpção (São Paulo).
Origan (Argentina)  Stud Seabra em parelha com  Arranha Ceo ( Uruguai).    
Farisco (Uruguai), C. Pinto Coelho.   
Sueño Largo (Argentina)  Peixoto de Castro, em parelha com Bambu Uruguai).
Com campanha no Brasil e no exterior:
Soneto (Argentina), J.C. de Figueiredo.
 Belfort (Argentina),  Rubem Noronha.

Vários jóqueis vieram de S.Paulo (B.Garrido, T.Batista, L. Gonzales, C. Fernandes, E.Gonçalves, J.Canales).

  No dia da corrida a Gávea recebeu um público maior do que o futebol, dizem 25.000 pessoas, no tempo em que o Rio de Janeiro não tinha um milhão de habitantes. A ideia geral era que ganharia um estrangeiro, porque dos nacionais só Mossoró tinha alguma chance. Dele faziam até piada, imagine um imigrante nordestino ganhar daqueles europeus!

 LARGARAM ! Padishah foi para ponta até os 1.600m, onde apareceu Myrthée  fazendo corrida para seu companheiro Bosphore, Mossoró corria no pelotão do  meio, sem animar muito. Ao entrarem na reta, Myrthée cansou, Caicó, faixa de  Mossoró se apresenta, mas já tem a seu lado Belfort e Bambu. Belfort domina  nos 300m, e nesse ponto Mossoró sai de oitavo, arranca, emparelha com  Belfort nas pedras, domina e ganha por meio corpo.

 Quando Mossoró iniciou sua atropelada, um sentimento de brasileirismo
tomou conta de todos que lá estavam, até quem não tinha jogado nele torceu.
Ouviu-se aquele barulho de torcida, que dava para ouvir até na Zona Norte e
quando cruzaram o disco, o prado veio abaixo. 
 
Largada!  
 
Entrando pela Curva Do Relógio
 
A reta de frente
 
 
 
 
Mossoró, J. Mesquita, Eulogio Morgado, Frederico Lundgren, Haras Maranguape
tiveram seus nomes imortalizados. Pelo fato de Mossoró ser brasileiro, o seu nome
correu o Brasil inteiro, especialmente no nordeste, até o mais humilde ouvia e
repetia que um nordestino tinha ganhado do mundo "tudinho".
 
 O turfe passou a ser mais conhecido, a Gávea foi vista nas publicações de turfe
na América e na Europa, assim como sonhara Linneu, que não ganhou, mas teve
o orgulho de ver o seu sonho ser perpetuado, este ano se comemora 80 anos.
Linneu ganhou o GP Brasil com Six Avril em 1939, antes do acidente aéreo que
causou sua morte, mas lá de cima viu Heliaco, Albatroz, Itajara, Siphon e muitos
mais. 


 Matéria pesquisada e obtida no Museu do Turfe (SP) com   a colaboração do funcionário Nani Claro da Costa, a quem agradeço.

12 julho 2012

Rigoni e El Aragones, a atropelada que entrou para a história

 Por Olavo Rosa Filho

Este artigo lembra e homenageia um grande jóquei e um cavalo de grande categoria, para isso narraremos os fatos que antecederam a corrida até chegar ao disco final.

A trajetória do Rigoni no turfe brasileiro é bastante conhecida, já muito se escreveu sobre ele, porém no caso deste GP, teve um aspecto especial: Rigoni já havia ganho estatísticas na Gávea, Derby, dois GP. São Paulo (Garbosa Bruleur e Saravan), era o "homem do violino", o "fantasma da Gávea", numa turma onde haviam os chilenos(Ulloa, Marchant, Castillo, Yrigoyen, Luiz Diaz), os brasileiros (Candido Moreno, Minguinho Ferreira, J.Portilho), mesmo assim ele ganhava deles
com frequência, até acontecer o infortúnio.
 
No domingo do GP Brasil de 53, ganho por Gualicho, houve um páreo de handicap em 1300m na grama com 34 inscrições(!), no fim alinharam 22 na partida, com fita, naquele tempo.Uma temeridade, porque a partida ficava bem perto daquela curva de cotovelo. Na altura dos 800m, rodaram La Vestal(G. Cabrera, chileno radicado no Rio) Eletric (S.Machado) e Porfio (L.Rigoni).
 
Cabrera veio a falecer dias depois, Machado teve escoriações, e Rigoni teve uma forte lesão na coluna, temia-se até que ele não pudesse mais andar.
 
Paralelamente sua vida particular sofreu percalços e ele viu em poucos meses tudo ruir. Perdeu bens e propriedades, perdeu a auto estima, a confiança, só não perdeu o talento e a esperança.
 
Algumas semanas antes do Brail de 54, milagrosamente, ele volta a montar, ganhando corridas, é claro, com mais dificuldades e muitas dores. Embora não devendo se arriscar e tendo que esperar mais tempo tempo para se recuperar totalmente, Rigoni arriscou, pois além de todos os problemas com sua vida particular, havia surgido um novo líder, o Bequinho (M. Silva). Só uma vitória no GP Brasil, poderia recolocá-lo no destaque que sempre teve.
 
Sua esperança veio ao encontro de um convite feito por proprietários de SP (como veremos a seguir), para montar o cavalo El Aragones, um Ramazón em Ei-Chú.

El Aragones, argentino, quando potro teve uma campanha admirável e seus donos o trouxeram para correr o GP São Paulo de 1953, onde pegou pela frente nada mais que o Gualicho; fez segundo deixando o 3º a mais de 10 corpos.
 
 
 
 Isto chamou a atenção de alguns diretores do Jockey, que queriam um cavalo para representar o turfe paulista no IV Centenário, prova que seria a maior de todas, até hoje, de repercussão internacional, dotação de US$ 300.00,00. Faziam parte deste grupo de sócios diretores, entre outros, Luis Oliveira de Barros, Glauco Colli, Franco Clemente Pinto Jr (Haras Old Friends atual), Conde Prates, Fabio Prado. O preço foi 
caríssimo, mas pelas provas que teria pela frente valia a pena o investimento. O Stud La Forja e o treinador J.M.Boquin fecharam o negócio e El Aragones passou para o Stud Piratininga (farda branca, preto e vermelho, cores da bandeira paulista), e antes de vir para São Paulo, nas cocheiras do treinador Orfilio Ojeda e tendo R.B Quinteros como seu jóquei,  ganhou o Pellegrini de 53 (dezembro).
 
Antes da virada daquele ano, embarcou rumo as cocheiras de Cidade Jardim, para se preparar para o IV Centenario.
 
As expectativas com esta prova forma plenamente confirmadas, pois, no dia do Grande Prêmio, havia gente do mundo inteiro, até o Priíncipe Aly Khan aquí esteve, trazendo seu cavalo Shikampur. Uma festa inesquecível. 
 
El Aragones não decepcionou, ganhando facilmente a carreira. Tendo Quiproquó (Peixoto de Castro) como escudeiro, em segundo.
 
 

Em Maio do mesmo ano, houve o GP São Paulo, e os dois se encontraram novamente, num campo reduzido de 6 cavalos. Desta vez ganhou Quiproquó, numa joqueada incrível do Marchant  sobre Luis Gonzales, piloto naquela oportunidade do filho de Ramazón.
 
 

No fim de Julho, El Aragones foi para o Rio em preparativos para o GP Brasil. Foi então que juntaram-se as duas estrelas (ele e Rigoni). O campo da prova teve 16 cavalos, destacando-se o rival Quiproquó, Joiosa (tríplice coroada), Pontino (argentino), Taia(chilena), Yorick (francês), todos ganhadores clássicos.
 
 

Partida na fita dos 3000m (foto) e largaram! Cyro, Taia e Bakari, revezaram-se na ponta até a entrada da reta, onde muitos foram para fora ocasionando a queda de Titanic(J.P.Souza) e Efusivo (O.Reichel). Disso se aproveitou Joiosa (E.Castillo), passando por dentro e dominando Bakari nos 200m. De repente, não mais que de repente, aparece El Aragones, que tinha entrado último na reta, passando uma a um os seus rivais,também por dentro, e domina Joiosa em cima do disco.
 
 
 
Perante uma multidão de mais 20.000 pessoas,  Rigoni e El Aragones foram aplaudidos de pé,  por mais de 10 minutos, uma ovação estrepitosa, digna de um gênio e de um cavalo valente como poucos.

Esta corrida até hoje é lembrada como "Rigoni e El Aragones, a  atropelada que entrou para a história".

26 junho 2012

Luiz Rigoni/El Aragones

Marcos Figueiredo, fã incondicional de Luiz Rigoni e também do vencedor do Brasil de 1954, El Aragones, vai vibrar com esta coluna escrita pelo "Homem Do Violino", para o Estado de São Paulo de 7 de Março de 1992.


30 maio 2012

BARROSO, A TRAJETÓRIA DE UM CAMPEÂO ESQUECIDO


Por Olavo Rosa

Nascido em Sabinópolis, cidade mineira perto de Governador Valadares, em 42, Barroso conheceu os cavalos ainda menino, montando pungas na fazenda. Depois foi morar em Belo Horizonte, trabalhando num hotel de propriedade de familiares, onde conheceu o jóquei carioca Ubirajara Cunha, com quem conversava muito sobre o universo das corridas, despertando nele a vontade de ser jóquei, pois era  pequeno e forte, físico ideal para tal. No entanto, Cunha não quis leva-lo para a Gávea, por que não queria ser responsável, caso acontecesse algum acidente com ele.
Barroso então, com 16 anos, juntou o pouco que tinha e muita coragem e foi para o Rio ser cavalariço para poder se manter e esperar a oportunidade de ser aprendiz. Em Outubro de 59 estreou com a égua Miss Elegante, chegando em 7º, mas já era um começo, ainda mais que nesse páreo chegou 2º o seu ídolo e amigo Ubirajara Cunha, Barroso pesava apenas 42 kg.
Primeira Vitória
Conquistou a primeira vitória neste mesmo ano de 59 e, em 60 já figurava entre os 10 melhores jóqueis da Gávea, no meio de feras como Rigoni, Bequinho, A. Ricardo, O Cardoso, Marchant,  E.Castillo, Adalton Santos, J. Portillo, não era fácil.
Permaneceu montando com relativo sucesso, principalmente numa parceria com o proprietário Mario C. T. de Souza , que levou Barroso para correr o Paraná e o Bento Gonçalves com o cavalo El Asteróide, ganhando ambos, fato que tornou Barroso conhecido no Brasil inteiro.
Em maio de 65, El Asteróide veio correr em S. Paulo o GP Oswaldo Aranha, vencido por Pantheon, com o Barroso em 2º, chamando a atenção dos turfistas paulistas. Encantou-se com a cidade e o nosso hipódromo e recebeu o convite do Thomazinho Assumpção, homem forte do turfe paulista, para ficar por aqui. Mudou-se para S.Paulo , começou a montar aqui e já nesse ano ganhou tanto, que quase alcança o Rigoni nas estatísticas, com 5 meses de desvantagem, já se via que ali estava um craque, um diferenciado com futuro brilhante pela frente.

Grisson
E foi realmente o que se viu, venceu 17 estatísticas seguidas, quase 5000 vitórias, todas as provas de Grupo, 2 GP Brasil (Grisson e Off The Way), um GP São Paulo (Kenetico). Foi o único jóquei brasileiro a vencer no Japão, montou ainda na Austrália e Estados Unidos. Um grande campeão, montou com preferência para os Haras São Bernardo, Faxina, Jatobá, Malurica,São José & Expedictus, Santa Barbara em craques como os citados Grisson, Off the Way, Kenetico e mais Miss Welsh, Nageur, Tonerre, Clausen Export, Quiz, El Asteróide e muitos outros.

Para se ter uma ideia dos números do Barroso, fora o J.Ricardo, nenhum jóquei sul americano atingiu 5000 vitórias. À parte isso nunca foi suspenso por dolo ou negligência durante 35 anos de profissão.
Off The Way
Este ano se cogitou fazer uma homenagem significativa a ele, por ocasião do GP São Paulo, da mesma forma que foi feita em 2004, na Gávea, aos Jóqueis L.Rigoni (50 anos da vitória com El Aragonês) e J.M.Silva (25 anos da vitória com Gourmet) com direito a despesas pagas e cachet de participação, uma homenagem justíssima e merecida. Eles entraram na raia ao lado do J.Ricardo sob estrondosos aplausos de todos que lá estavam .
Procurado por mim, com o conhecimento da Comissão de Turfe (José Luis Polakow) e a participação do colega Marcelo Lefevre, Barroso não se mostrou interessado, infelizmente, quem sabe numa próxima vez, por que toda coletividade turfística anseia e deve a ele uma homenagem do tamanho da sua trajetória no turfe brasileiro.
Nós aqui do Turfemania, estamos fazendo a nossa parte, o Figuron e Varanda, Aron e eu. Vou fazer este artigo chegar a ele para que saiba que não o esquecemos, respeitamos e admiramos este grande campeão, quem sabe com isso ele compareça o ano que vem.

Kenético



16 maio 2012

1997 - Um Grande Premio para ser esquecido

 Por Olavo Rosa Filho

Um campo de 18 concorrentes, Quinze Quilate, que ganhara o GP Brasil de 96, era favorito de 4 por 1, dia lindo, hipódromo com bom público, tinha tudo para ser um GP de sucesso, a TV Bandeirantes presente, mas esse dia estava fadado para ser o maior fiasco da história dos GP São Paulo, fora aquele do Secreto em 46 , que já relatamos aqui.

Como dissemos, Quinze Quilates ganhou o GP Brasil de 96 debaixo de chuva, atropelando por dentro e matando Zé de Ouro, do Bandeirantes, em cima do disco. Vicente Romano teve o seu sonho realizado, pois havia perdido com Kraus, em cima do disco também, para Espiche, um tremendo azarão, dizem até que não era puro sangue legítimo, mas no páreo tinha até a incrível Dulce, do Stud Seabra tremenda craque, mas que naquele dia não correu nada.

Vicente Romano é uma história à parte: proprietário daqueles da velha guarda, assistia pessoalmente os trabalhos dos seus cavalos, podia fazer chuva, frio, vento ou calor, lá estava ele de binóculos e cronômetro, um verdadeiro turfista.

Teve vários animais bons, sua preferência era por cavalos, podemos citar Fighting Son (década de 50), o mencionado Kraus, Jigo, Kopa, Zemario, Ojantelle, Porsanger, Young Love, Sawer, Northon (26 vitorias, Record em CJ), entre muitos outros.

Ele queria, é claro, ganhar o GP São Paulo e a oportunidade estava ali com o Quinze Quilates. Corrida difícil, decidida nos últimos metros, com o cavalo atropelando para ganhar por um corpo. Foi uma festa, entrevistado pela TV Bandeirantes, quase não conseguia falar, foi na social receber a taça, agora sim estava realizado, havia ganho as duas maiores provas do Brasil.

Nas fotos vemos a chegada:






 1º Quinze Quilates (J.Garcia)

2º Haydn (J.Pereira)

3º Quemay (L.Almeida)

4º Moustaki

5º Fool Around







E a foto do Vicente Romano recebendo a Taça.


Dias depois veio a notícia, os dois primeiros foram desclassificados, no exame anti dopping, fato inusitado em provas de Grupo I, acho que no mundo todo. Sem querer entrar no mérito, achei uma pena, muito triste, ter que devolver a Taça, e todos os lauréis daquela prova.

O Resultado passou a ser:

 1º Quemay

2º Moustaki

3º Fool Around

Quinze Quilates teve a sua campanha encerrada e tem sido um bom reprodutor, filho de Only Once(criação do Faxina) e Hospitaleira (Haras 2001), portanto pais nacionais, fato raro nessas provas, teve alguns bons filhos tais como Xiang VI, Zegna, Zitromax (GP Ipiranga) Zitroneo e outros.

Sobre Haydn: não ganhou mais, nem teve nada na reprodução.
Sobre Moustaki: não ganhou mais, nem teve nada na reprodução.
Sobre Fool Around: um bom cavalo, correu mais algumas vezes, sem grande destaque e na reprodução não foi bem.

Uma curiosidade, o jóquei de Quemay era L.Almeida, nunca teve uma oportunidade num GP dessa importância, nem antes, nem depois, e não pode tirar a foto da vitória para mostrar, quem sabe até aos netos, como faz todo profissional .

Concluindo, o GP São Paulo de 1997, um GP para ser esquecido.

24 abril 2012

1950 – ZONZO, o cavalo bomba


Por Olavo Rosa Filho

Naquele ano, o GP São Paulo foi brindado com a apresentação de Swallow Tail, inglês filho de Bois Roussel e Schiaparelli, que era da farda Preta e boné branco, do importantíssimo Lord Derby , farda igual ao do Dr. Paulo José da Costa, aqui de SP: havia vencido o King Edward VII Stakes e em 1949 fez terceiro a pescoço para Nimbus e Amour Drake, no Derby de Epsom. Foi uma corrida sensacional (veja abaixo, como curiosidade), onde ele e Nimbus brigaram mano a mano durante os 2400m, perdendo o 2º em cima do laço.




A Família Peixoto de Castro, que detinha “somente” a concessão das Loterias no
Brasil, precisava de um reprodutor de nome para servir no Haras Mondesir e foram buscar exatamente este Swallow Tail para cobrir por estas praias. O negócio atingiu valores astronômicos para a época.

Como um presente ao público paulista, acordaram a inscrição no GP São Paulo daquele ano, logo depois da corrida o cavalo ingressaria na reprodução. Até jóquei da França veio, chamava-se Marcel L’Ollierou.

Os outros, coitados, eram meros figurantes, parecia uma exibição da realeza contra
um bando de plebeus das colônias. Entre esses plebeus havia um cavalo uruguaio,
Zonzo, filho de Mazarino e Zonza, filiação inexpressiva, corrido apenas na areia
de Maronãs, comprado um mês antes pelo Sr. Azem Abib Azem, comerciante, industrial e ferrenho turfista paulista. Dizem que só ele jogava 10% do movimento de Cidade Jardim.

A revista Turfe e Elegância, nos comentários da prova,de um falava "a maravilha inglesa", de outro, "muito modesto, não pode aspirar a nada".

Largaram! Swallow Tail na ponta, a galope. Na primeira passagem pelo disco, L’Ollierou girava o chicote como uma ventarola, o público delirava, Zonzo corria último. Entram na reta, Swallow Tail na frente, mas já sem o mesmo ritmo. Zonzo começa a atropelar por fora, vai passando um a um todos os competidores, domina Swallow Tail e ganha por um corpo, sob o silêncio da multidão. Pagou só 10 por 1, dizem que o seu dono jogou um banco.




Swallow Tail foi para a reprodução, sendo um dos mais importantes da história,
como pai e avô materno. Dentre seus filhos destacaram-se Timão (tríplice coroa)
Ulemá, Urgência, Xerez, Zaga, Zarza, Atramo, Diese, Fiapo e Cajado (ganhador
da milha internacional em San Isidro).

Marcel L’Ollierou voltou para a França e, tempos depois, encerrou a carreira,
nunca mais foi o mesmo.

Passaram-se quase dois anos e Zonzo correu umas seis vezes, não conseguia fazer placê, sempre favorito. Até que foi inscrito num forte handicap, onde havia um favorito de 10, Pewtter Platter, também inglês, com campanha clássica na Europa, descendente do chefe de raça Hyperion, filho de Owen Tudor (pai de Elpenor) e Jennydang, uma barbada.

Largaram! Pewtter Platter na frente fácil, Zonzo em último. Entram na reta,
Pewtter Platter a galope, 5 corpos na frente , o jóquei só espanando. De repente, Zonzo dá uma partida de 200m, passa todo mundo e ganha de Pewtter Platter por focinho, sob o silêncio da multidão. O filme se repetia.



Pewtter Platter foi grande reprodutor e avô materno, pai de Juleda (grande
campeã), Flat Foot, Gleda, Inch, Jelante, Packard, Rioko, Under, Unino.

Olavo Rosa, jóquei de Pewtter Platter, tomou uma suspensão de 90 dias por negligência e por causa disso não pode montar Gualicho nas suas 4 primeiras corridas em SP.

O Tio Azem, como era conhecido, jogava muito mesmo, foi perdendo muito dinheiro, não teve mais nenhum cavalo bom, mas seu último passeio foi no Jockey.

Zonzo não correu mais, não teve nenhum filho de valor, ganhou só duas corridas, atrapalhou a campanha de dois cavalos importantíssimos e quase arruína a vida de dois jóqueis, um verdadeiro CAVALO BOMBA.

As fotos são GP São Paulo de 1950, do handicap em dezembro de 1951,
obtidas no Museu do Turfe.

18 abril 2012

Margarida Polak Lara é a homenageada do Torneio de Catedráticos

Pesquei do site do JCSP, em 2009,uma matéria sensacional sobre nossa homenageada, publicada nas páginas da revista Vogue. Publiquei no blog à época, e republico novamente para quem não leu. E para quem leu, releia, vale a pena. Está Aqui.
Lembrando que Dona Margarida está com 102 anos e seu nome se confunde com a própria história do turfe brasileiro. O blog e o patrocinador sentem  muito orgulho de prestar-lhe esta singela homenagem.

02 abril 2012

1925 – Mehemet Ali e Aprompto, o único empate do GP São Paulo

Por Olavo Rosa Filho

Mehemet Ali tinha sido importado da Argentina, numa transação acima dos valores comuns da época e virou o bicho-papão das corridas em São Paulo (Mooca) e no Rio (Derby Club). Ganhou o primeiro GP São Paulo em 23, foi segundo em 24.
Em 25 foram inscritos apenas 4 cavalos: ele, Éden (que havia ganho em 24), Benjoin um bom cavalo, mas inferior aos demais, e Aprompto, o orgulho da criação brasileira, vindo de várias vitórias e que ousava enfrentar os gringos. Por incrível que pareça,  antes deste São Paulo de 25, ele e Mehemet Ali, nunca haviam se enfrentado.
A cidade se dividiu entre os dois, no prado da Mooca não havia mais lugar e na corrida não deu outra coisa, 3200m, duas voltas na pista, mano a mano terrível, cabeça a cabeça, e no fim deu EMPATE, os outros dois, chegando a 100m de distância. Vejam o comentário da revista Turf Illustrado (com dois L mesmo):
“O Sr. Thomazinho Assumpção, em destaque, possuidor de um golpe de vista extraordinário e perfeito juiz de chegada, como desta vez o photógrapho foi infeliz e não apanhou a chegada no momento exato, faltou ainda para ambos os parelheiros um galão, mas pelo cálculo feito levando-se em conta a valente entrada de Aprompto e o esmorecimento de Mehemet Ali até o poste de vencedor, não poderia ter tal final um resultado mais satisfatório do que um EMPATE."

Vejam, senhores, a chegada foi decidida por um único indivíduo e ninguém reclamou (queria ver hoje com photochart e tudo) !
O tempo foi passando , mas é interessante ver o que aconteceu com alguns envolvidos na prova:
a- Mehemet Ali e Aprompto pouco foram aproveitados na reprodução.
b-  O bridão Charles Gray, jóquei de Aprompto, vindo da Inglaterra,  pouco tempo depois parou de montar, devido ao alcoolismo e morreu na miséria, completamente abandonado, pois não tinha parentes.
c- A foto do quadro, com a farda tango, costuras brancas, do Dr José de Goes Artigas, é de Aprompto, um lindíssimo alazão e está colocada na sala da Comissão de Corridas, um óleo de Oscar Pereira da Silva.

d- Guilherme Greme, argentino, jóquei de Mehemet Ali, montou na Mooca até quase a mudança para CJ, tentou voltar já com 50 anos, mas a idade pesou e ele parou definitivamente. Pouco tempo antes da sua morte , era visto vendendo pastéis no Paddock, durante os matinais.
e- Teve um filho, o Greminho, que era um jockey de talento, ganhou o Derby com Jaceguay, mas morreu, vítima de cirrose.
f- A Família Crespi, proprietários de Mehemet Ali, manteve galhardamente as tradições da farda, por mais de quatro gerações, hoje ainda tem cavalos como criadores e proprietários, treinados pelo A.L.Cintra, o Tolú.

g- A foto de Mehemet Ali galopando com G. Greme foi tirada do Museu Do Turfe, assim como as fotos da chegada. Reparem que o de fora (Aprompto) está a pescoço do de dentro, mesmo assim foi dado empate.

h- José de Goes Artigas, algum tempo depois do empate de Aprompto, teve um cavalo seu desclassificado por prejuízos na reta; quando subiu o placar com o seu cavalo em segundo, violento e desequilibrado, adentrou a sala da Comissão e baixou a bengala nos comissários (novamente pergunto: já pensou se fosse hoje ?) e só parou quando foi seguro por policiais e gente que estava por perto . O Jockey não aceitou mais inscrições de seus cavalos e ele acabou abandonando o turfe.
i- Seu filho, Hermano de Goes Artigas, foi um tremendo atleta, recordista sul americano dos 400m com barreiras, mas, ao contrário do pai, era delicadésimo, freqüentou muito tempo as sociais, com sua vasta cabeleira branca.
j- Thomazinho Assumpção é uma história a parte, durante mais de 40 anos foi o homem que dirigia o JC de São Paulo, não se metia na área social, mas nas corridas nenhum diretor se metia com ele. Foi starter, comissário, organizava os programas, esfera clássica, era o penetrômetro da época, determinava a raia, admitia e demitia profissionais ( o Barroso ficou em São Paulo por indicação dele) e ninguém dava palpite porque, na sua administração, o Jockey vivia um momento sem igual, fazia um movimento de apostas tão grande, que parte dele atendia ao luxo , esplendor e conforto dos sócios. Para se ter uma idéia, teve Réveillon DE GRAÇA para os sócios, com champagne e caviar. Em 52, o Jockey tinha tanto dinheiro em caixa, que fez doações á Santa Casa, creches, asilos, etc. Thomazinho  tem um busto no redondel do Paddock e, coincidentemente, após a sua morte em 1988, as coisas começaram a mudar gradativamente, até chegar nos dias de hoje.
Thomaz Assumpção é o de terno escuro, nesta foto da escolinha de 59 do JCSP

28 março 2012

1946 - SECRETO, A PUXADA OFICIAL


 Por Olavo Rosa/Aron Correa

Vamos falar de Grande Prêmio São Paulo, uma vez que a data de sua realização na sua versão 2012 se aproxima.
O primeiro GP São Paulo foi vencido por Mehemet Ali em 1923, ainda na Mooca e nesse hipódromo tivemos dezessete edições, até 1939. O único ano em que a prova não foi realizada foi o de 1940. Em Janeiro de 41 inaugura-se o Hipódromo de Cidade Jardim e desde aquela época até hoje o nobre espetáculo é realizado na pista de grama , às margens do Rio Pinheiros.
Nosso foco, nessa primeira série sobre o tema, será o São Paulo de 1946, o primeiro do Pós-Guerra. Seguramente o GP mais polêmico da história. Incríveis acontecimentos antes, durante e depois da carreira ratificam esta afirmação: tudo começou com um número inexpressivo de inscritos (oito). O motivo? A presença garantida nesta lista, do argentino Secreto, um Cocles em Seine, cavalo que gozava de amplo cartaz na época e que era tido como verdadeira pule de dez. Secreto havia corrido o GP Brasil do ano anterior e ousara travar duelo em toda reta de chegada com a lenda Filón, outro cavalo argentino que teve em seu dorso, nesta prova, o não menos lendário maestro Irineo Leguisamo. Filon já tinha ganho um Pellegrini anteriormente, mas venceu a prova por menos de meio corpo, em reta extremamente disputada, como comprova a foto abaixo:

Filón resiste a Secreto


Nesta outra imagem, o Convite do GP São Paulo, publicado nos principais jornais. Notem que temos os nomes dos parelheiros que alinhariam na prova máxima do turfe paulista e a bolsa para os vencedores (300 mil cruzeiros):

Convite para o GP São Paulo de 1946


Quis o destino, porém, que chovesse sem parar nos dias que antecederam a carreira. A raia de grama, encharcada e até com poças, ficou completamente impraticável.
Aqui cabe um parêntese: Secreto tinha ganho as duas principais provas do turfe gaúcho ( Bento e Protetora) na propriedade do Sr. Naio Lopes de Almeida. Correra o Brasil de 1945, no nome do múltiplo ministro do Governo Vargas, Oswaldo Aranha, grande apreciador das corridas , e aparecia neste GP São Paulo como propriedade dos irmãos Grimaldi Seabra (Roberto e Nelson). Os irmãos Seabra, nas décadas de 50 e 60 vieram a ser o sinônimo do fortalecimento da criação nacional do PSI.
No domingo de 6 de Abril, pela manhã, Roberto e Nelson, temendo pelo perigo de expor seus pupilos a um acidente (Secreto tinha um faixa, Cumelen), mandaram a Comissão de Corridas afixar forfaits dos mesmos. Ora, isso significaria um páreo de seis cavalos e sem sua maior estrela. A Comissão de Corridas solicitou aos proprietários para que os animais corressem a prova, colaborando com a grandeza do evento. As negociações não chegaram a um acordo pacífico, com muitas acusações e troca de desaforos e, até perto do horário de largada da prova, não sabia-se ao certo se Secreto correria ou não. Por fim, a parelha entrou na pista para o cânter. O que ninguém sabia até aquele momento era que já havia ordem dos Seabra para os jóqueis da parelha: “larguem, corram em último, tudo bem por fora, e cheguem em último”.
E assim foi. Ganhou Miron , de José Paulino Nogueira, com o Pierre Vaz fazendo posição. Secreto era levado de barbada, mas se tivesse corrido para valer, teria que suplantar este filho de Cartagines, pois o mesmo provou ser de corrida, levando também o GP Brasil daquele ano. A parelha chegou último e penúltimo, a perder de vista. A vaia logo após o páreo foi descomunal. Secreto não tinha uma mancha de barro, a ordem fora cumprida com rigor, correra sempre pela cerca externa. O estado lastimável da raia se poderia medir pelo tempo daa prova. O tempo foi de3m36’2 para 3200m, o record era 3m20’0, a diferença de 16 segundos equivale a 250m.

Chegada do GP São Paulo


Foi um tremendo desrespeito ao apostador, uma briga de egos, uma demonstração de imperícia, a prova tinha que ser transferida para a areia, mas não o fizeram para preservar a tradição; a segurança e o respeito ao apostador, ficam para depois (o pior é que esse depois não chega nunca).
O jóquei, D.“Minguinho” Ferreira foi suspenso por 90 dias, mas continuou montando para os Seabra, até ganhou o GP Brasil em 50, com a mais famosa de todas as éguas, Tirolesa.
A repercussão nos meios de comunicação foi das maiores, tanto que dez dias depois da corrida ainda havia embate entre a Comissão de Corridas e a tropa de choque dos Seabra. Vejam declaração ofical desta Comissão, publicada a 15 de Abril, na Folha de São Paulo:

Declaração da C.C do JCSP


Diante de tal quadro, a família Seabra houve por bem retrucar e em um A Pedidos, escrito por ninguém menos do que o já citado e poderoso  Oswaldo Aranha, bate no comissariado, digamos que com uma luva bem mais potente do que a de pelica. Tirem suas conclusões:

A Pedidos de Oswaldo Aranha

Ficou para a história a maior puxe de todos os tempos, que de secreto não teve nada, declarado e absurdo. Os Seabra ficaram de relações cortadas com o JCSP por cinco anos, até que resolveram voltar, em 1951, como se nada tivesse acontecido.Teria sido este GP, o começo da guerra de egos inflados que prejudica o nosso turfe até os dias atuais?

24 janeiro 2012

O incrível Derby de Epsom de 1913

Matéria de autoria de Olavo Rosa Filho , o "Olavinho".


TRAGÉDIA E ESCÂNDALO




A TRAGÉDIA

Aos ingleses, desde o advento do Parlamento foi permitido votar somente aos homens. Com o tempo a indignação das mulheres começou a ser notada, embora que individualmente, sem organização ou liderança. Pacificamente faziam palestras, cartazes, postavam cartas anonimamente, até que 1897, Emmeline Pankhurst fundou o movimento The Suffragists, dentro dessa linha pacífica. Como sempre acontece em todo movimento de massas, há os dissidentes, que fundaram o movimento The Suffragettes, bem mais contundente. Criavam confusão, quebravam vidraças, incendiavam pequenas construções. É claro, foram presas, espancadas e humilhadas.

Até que chegou junho de 1913. Uma suffragete tomou uma decisão que mudaria a História, ligando o turfe ao voto feminino. Emily Davison, professora de 30 anos, ficou na cerca da curva Tottenhan, na hora da largada do Derby de Epsom, quando os cavalos passaram , ela entrou na raia gritando VOTO DAS MULHERES e foi atropelada pelo cavalo Anmer, justo de propriedade do rei George, avô da atual rainha Elisabeth. Levada ao hospital, morreu depois de quatro dias, tornando-se a mártir do movimento sufragista.

Após o término da primeira guerra mundial, em 1918, foi permitido o voto feminino,
porém só para mulheres acima de 30 anos. Em 1930 o Parlamento aprovou o voto amplo e irrestrito para todo cidadão inglês. No Brasil, essa mesma lei foi aprovada em 1934.

Neste vídeo dá para ver bem o acidente.




O ESCÂNDALO

O cavalo Craganour havia acabado de perder o 2000 Guineas ( primeira prova da tríplice coroa em 1609m) de uma maneira que hoje não é possível; ele ganhou por cabeça, mas na opinião dos juizes foi deixado para segundo, a olho nu, contrariando a esmagadora maioria: ganhou Louvois, que seria seu adversário no Derby.

Chegou o 13 de junho, um sábado, Craganour era favorito dos bookmakers
(poule de 15, como se dizia antigamente). A corrida teve aquela tragédia na curva, os cavalos seguiram e o final foi "reñido" (como diria Gardel). Seis cavalos disputando a ponta. Novamente por cabeça, em pista, ganhou Craganour. Bateu o sino, demorando mais de uma hora para vir o resultado, e Craganour foi desclassificado para quinto. O resultado final foi:

1- Aboyeur 2- Louvois 3-Great Sport 4-Nimbus




























Como se pode, a olho nu, desclassificar um cavalo dos quatro primeiros lugares?
Há varias teorias sobre essa desclassificação: interesse dos bookmakers em não pagar
um favorito de 15 - o cavalo que ganhou era de criação de um dos juízes - e a mais surreal: o dono do cavalo era CHARLES ISMAY, filho de Thomas Ismay, dono da White Star Line, dono do Titanic, que havia afundado, meses antes. Dizem até que seu outro filho, Joseph Ismay, sobreviveu ao naufrágio, vestindo-se de mulher, para ter preferência nos barcos salva-vidas.Isso gerou um sentimento de ódio e repulsa no povo inglês e como represália, desclassificaram o cavalo. Charles Ismay, abatido pelo infortúnio do Titanic e o escândalo das duas corridas, vendeu Craganour para a Argentina, Haras Chapdamalal, de Juan Martinez de Hoz. Interessante que no contrato de venda havia uma cláusula: não pode correr, só para reprodução.
Craganour, assim como Congreve foram pilares da criação argentina. Charles Ismay morreu dois anos depois, dizem de tristeza.

19 janeiro 2012

RIGONI, O MITO

 Marcelo Augusto da Silva me enviou outra entrevista com um grande jóquei do passado, na opinião quase unânime de quem o  viu montar, o melhor de todos os tempos. Seu nome: Luiz Rigoni. Esta matéria, ainda tem algo de muito especial, pois saiu no último exemplar da revista "O Coruja", de 12/10/1988. Antes, porém, uma brincadeira. Coloco uma imagem com o retrato de grandes jóqueis do turfe paulista. Os dois primeiros que  acertarem o nome de cada um deles, da esquerda para direita e de cima para baixo, recebe um mês de assinatura gratuita dos meus prognósticos (sei que o prêmio não é grande coisa, mas enfim, é uma brincadeira).





Muitos turfistas, principalmente os novos, não sabem ainda o que significa o nome LUIZ RIGONI para o Turfe brasileiro. Além de ser um mito, este nome é um sinônimo de eficiência, coragem, dedicação e amor ao turfe.
Convidamos Luiz Rigoni, a contar aos nossos leitores um pouco da sua vida profissional, para ser publicado no último número de nossa revista. O “Homem do Violino” ou “O Fantasma da Gávea”, com era chamado no Rio de Janeiro, atendeu prontamente o nosso pedido.
Confortavelmente instalado numa poltrona, saboreando um delicioso cafezinho, Rigoni inicia seu relato:
Iniciei minha carreira no turfe em 1940, em Guabirotuva, Paraná, atuando como cavalariço. Aliás, não faz muito tempo, convidado pelo João Carlindo e Valter Siqueira, estive no Paraná a fim de assistir uma penca onde corria um cavalo de propriedade do João Carlindo, que por sinal venceu, e, de passagem, vi parte da arquibancada do hipódromo de Guabirotuva, que ainda se encontra no local.
Em 1942 tirei matricula de aprendiz e fiz minha estréia montando uma égua chamada Namorada, que era de propriedade de meu pai. Consegui chegar em segundo e, pouco depois com a mesma montaria, consegui minha primeira vitória.
Em 1943, menos de um ano depois, passei a jóquei. Neste mesmo ano, fui convidado por Pedro Gusso Filho a ir para o Rio de Janeiro. Pedro estava levando para a Gávea três animais; Que Lindo, Bonenota e outro animal cujo nome não me recordo no momento. Todos esses animais eram de propriedade de Hermínio Brunatto, que viria a ser sogro de Pedro. Na ocasião, recordo-me que tivemos que ficar aguardando alguns dias, em São Paulo, transporte especial para o embarque dos animais . Neste meio tempo, os animais ficaram alojados nas cocheiras de Silvio de Paula Mendes.
Em 1944, após um mês de minha chegada, fiz minha estréia no Rio de Janeiro montando a égua Juruaia. Era um sábado. A égua, portadora de péssimos trabalhos, chegou onde deveria chegar: último. Alguns meses depois, voltei a montar a égua numa prova corrida na pista de grama pesada. A bichinha correu uma barbaridade e, ninguém sabe como, venceu, pagando mais de mil cruzeiros por dez.
No domingo, numa prova em 1.200 metros, na grama, montei Que Lindo. Na mesma prova estreava um animal de nome Pica-Pau, de propriedade do Dr. Artur Lundgren. Que Lindo, muito ligeiro, tomou a ponta e na famosa seta dos 360 metros apareceu o grande favorito Pica-Pau, atropelando como um vento. Que Lindo, que ainda mantinha algumas reservas, “endureceu” e consegui levá-lo até o disco, com meio corpo de vantagem sobre Pica-Pau. É bom que se diga que, quando comecei na Gávea, as coisas não foram nada fáceis para mim. Morava numa cocheira e precisava escovar diariamente dois cavalos. Não me envergonho em contar estes detalhes. Sempre fui homem trabalhador. Naquela época havia muitos jóqueis de gabarito atuando no Hipódromo da Gávea. Somente em 1945 fui ganhar a minha primeira prova clássica, montando Valipor, numa prova disputada em 2.400 metros. Derrotamos Irará, de propriedade de José Buarque de Macedo, que mais tarde viria a ser meu patrão.
Fui convidado por José Buarque a trabalhar alguns potros de sua propriedade, que estavam aos cuidados do treinador Gabino Rodrigues, ainda no Rio. Entre a potrada encontrava-se a famosa Garbosa Bruleur, que montei em sua vitoriosa estréia, em 800 metros, e em varias outras oportunidades, também vitoriosas.
Garbosa Bruleur ficou invicta até ser derrotada por Helíaco. Nessa ocasião a égua não estava bem. Na semana da corrida eu disse ao “Don Gabino”, como era chamado o treinador. “A égua está morta”, gíria turfística usada entre os profissionais. “Don Gabino” respondeu: “No Rigoni. La yegua está muy buena”. Diante desta resposta, recorri ao proprietário e dei minha opinião. Afinal eu trabalhava a égua e conhecida muito bem o animal. Ninguém conhece melhor as condições do concorrente que o jóquei, que diariamente tem contato e sente a disposição do animal.
Todos sabem o que aconteceu. A égua correu e foi derrotada pelo Helíaco, perdendo também para Ilíada, a quem sempre havia derrotado. Ilíada era treinada por Juvenal Lourenço, o popular “Zezéco”, alegre e brincalhão, uma das muitas, entre tantas, boas e queridas pessoas com quem tive o prazer e a honra de conviver.
Depois da perda da invencibilidade de Garbosa Bruleur, foi realizada uma reunião, nas cocheiras, entre “Don Gabino”, José Buarque de Macedo e eu. Decidimos que a égua iria descansar alguns meses e seria preparada para correr o GP São Paulo. Antes porém, correria uma prova preparatória, no Rio, o que ela fez com sucesso.
Garbosa Bruleur foi a forra com Helíaco. Ele, que havia tirado a invencibilidade da égua, agora também perdia para o animal que ele havia derrotado.
Daí em diante minha vida profissional ganhou outro impulso. Comecei a liderar a estatística de jóqueis. Minha carreira estava no apogeu quando sofri um sério acidente com o cavalo Porfio. Na partida, o cavalo rodou e fraturou o joelho. Eu fui lançado ao solo, sofrendo pinçamento vertebral. Este fato, que me custou uma séria operação, me deixou afastado das pistas dois anos e três meses. Parecia uma eternidade.
A maioria pensava que este episódio havia selado definitivamente minha vida profissional. Não via a hora de voltar.
Num sábado, as portas do mundo se abriram outra vez para mim. Estava novamente no dorso de um cavalo. Montei Tendress e venci. No domingo, montei mais três vencedores.
Mas, diz o ditado: “Rei morto, Rei posto”. Na minha ausência, M.Silva, o popular “Bequinho”, havia se revelado um grande piloto e assumiu a liderança da estatística.
Voltei a montar, porém, o ambiente era outro, o clima não era mais o mesmo. Tudo havia mudado. Até os amigos mudaram. Durante todo este tempo que convivo no turfe, somente dois nomes ficaram marcados em minha mente. Claudemiro Pereira, treinador dos animais do deputado Euvaldo Lodi, e Mário D´Andréa. Estas duas pessoas foram muito amigas e incentivadoras.
Venci duas vezes do GP São Paulo, montando Garbosa Bruleur e Saravan. Poderia ter vencido também com Jocosa, cuja montaria recusei por causa do peso, 54 quilos. Seria muito sacrifício para mim chegar até aquela marca. Venci três vezes o GP Brasil. Em 1954, com El Aragonês; em 1970 com Viziane e em 1971 com Terminal.
No Rio de Janeiro venci, se não todas, quase todas as provas do calendário turfístico da Gávea. Em São Paulo, venci muitas provas do calendário turfístico de Cidade Jardim.
Em 1971, após ter vendido o GP Brasil com Terminal, fui convidado a montar o mesmo animal, na Argentina. Fiquei um mês no pais vizinho e, no hipódromo de Palermo, montei Terminal para vencer uma prova em 2.500 metros, na pista de areia.
Voltei ao Brasil e, alguns meses depois, devido a problemas de peso, abandonei a profissão.
Falando novamente sobre amigos, conheci muitos deles. Verdadeiros e interesseiros. Amigos existem, dos mais variados tipos.
Um treinador de famoso Haras disse-me certa ocasião: “Meu telefone tocava constantemente. Depois que deixei de cuidar de animais, só tocava vez ou outra. Era o compadre, convidando-me para pescar”. Nome do treinador: Abílio Sales Ventura.
No geral não posso me queixar do turfe. Orgulho-me de ter muitos e grandes amigos, inclusive vários políticos, entre eles o Jamil Achôa, um homem fora de série. Tenho muitos sinceros amigos entre criadores, proprietários, jóqueis, treinadores, cavalariços e mesmo entre os turfistas.
Não posso esquecer também os diretores, entre eles o José Antonio Pamplona de Andrade, pessoa a quem eu quero muito bem.
Finalizando, lamento profundamente, como a maioria dos turfistas, o encerramento das atividades da Revista “O CORUJA”. Depois de tantos anos lutando, o turfe perde sua bandeira maior.
Ao Dr. Paulo, meu grande amigo, minha solidariedade e meu abraço.
Real Time Web Analytics